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Richard Drew/AP
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Mercados internacionais fecham em queda, ainda repercutindo a decisão do BC dos EUA

Investidores voltaram a precificar o anúncio de que o Fed pode começar a subir os juros já em 2023, e não mais em 2024; dia também teve divulgação de indicadores europeus

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 17h30
Atualizado 18 de junho de 2021 | 18h25

Os principais índices do exterior fecharam em queda nesta sexta-feira, com os investidores voltando a precificar o anúncio do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), de que reajustes nos juros podem ser feitos já em 2023, e não mais em 2024, principalmente após a fala mais dura de um dirigente da autoridade monetária. O dia também teve decisão de política monetária no Japão e divulgação de indicadores de países europeus.

Os ativos voltaram a ser pressionados pela reunião do Fed realizada na quarta-feira, 16. Além dos índices, o comunicado mais duro do banco central dos Estados Unidos afeta ainda o setor de commodities, afetados pela valorização do dólar após o comunicado do Fed. Os contratos futuros de cobre fecharam em baixa nesta sexta-feira e perderam mais de 8% na semana, a mais acentuada queda semanal desde o início da pandemia. Os do ouro, também fechando em baixa, tiveram perda semanal de quase 6%. O índice DXY, que mede a variação do dólar contra seis pares, registrou alta de 0,37% hoje e de 1,84% na semana, a 92,225 pontos, no maior nível desde abril.

A Capital Economics diz que esses componentes tiveram baixas nesta semana por causa do Fed, que fortaleceu o dólar. Na política monetária americana, James Bullard, presidente da distrital de St. Louis do Fed - que não tem direito a voto nas reuniões, mas possui grande influência entre os dirigentes -, disse esperar alta de juros nos EUA já em 2022, confirmando que a autoridade monetária já discute o início da redução em seu programa de compra de títulos públicos.

 

"O que realmente importa para o mundo são os juros americanos, e tivemos por lá juros a zero (ou perto disso) por 12, 13 anos. O mercado vai ter que se acomodar a essa nova realidade, em uma retomada econômica global que eleva preços de commodities e produz inflação", diz  Robert Balestrery, sócio-fundador da SWM Investimentos.

Já o Banco Central do Japão ainda não discute a chance de diminuição nos estímulos. Além de manter a sua política monetária inalterada, ele também vai estender o programa de empréstimos a empresas afetadas pela crise da covid-19, de setembro até março do ano que vem. 

Na agenda de indicadores, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha subiu 7,2% em maio, na comparação anual, no nível mais elevado desde outubro de 2008. A High Frequency Economics atribuiu o movimento sobretudo aos preços de energia, descartando um aumento generalizado de preços. No Reino Unido, as vendas no varejo recuaram 1,4% em maio ante abril, contrariando a previsão de alta de 1,6%. 

Bolsas de Nova York

O mercado de Nova York fechou em forte queda, com os investidores ainda analisando a decisão do Fed e a projeção dos dirigentes da entidade de alta da inflação acima do esperado. O Dow Jones cedeu 1,57%, enquanto o S&P 500 baixou 1,31% e o Nasdaq recuou 0,92%.

Bolsas da Europa

A desvalorização das commodities afetou os ganhos do mercado europeu, com o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, em queda de 1,58%. A Bolsa de Londres caiu 1,90%, Paris cedeu 1,46% e Frankfurt recuou 4,78%.

As Bolsas de Milão, Madri e Lisboa cederam 1,93%, 1,80% e 2,28% cada. Todos os índices encerraram a semana com saldo acumulado negativo.

Bolsas da Ásia

O mercado asiático fechou sem sinal único, com a Bolsa de Tóquio em queda de 0,19%, enquanto a de Taiwan cedeu 0,41%. Na China, o índice de Xangai ficou praticamente estável, com baixa marginal de 0,01%, mas o Shenzhen se valorizou 0,81%. Também as Bolsas de Seul e Hong Kong, com ganhos de 0,09% e 0,85% cada.

Na Oceania, a bolsa australiana subiu 0,13%, ficando bem perto de garantir um quarto fechamento em nível recorde nesta semana.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, apesar do dólar alto, que derrubou boa parte das commodities. Os papéis ganharam impulso após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sinalizar uma aumento da produção nos EUA mais lento do que o esperado até então. A notícia é um bom sinal em um momento no qual a demanda pelo óleo ainda é afetada pela pandemia.

O barril do petróleo WTI com entrega prevista para agosto, contrato mais líquido, teve alta de 0,72% e de 1,08% na semana, a US$ 71,29, enquanto o do Brent para agosto avançou 0,59% nesta sexta, e 1,12% nos últimos sete dias, a US$ 73,51. /MAIARA SANTIAGO, MATHEUS ANDRADE, GABRIEL BUENO DA COSTA E SÉRGIO CALDAS

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