Kin Cheung/AP
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Mercados internacionais fecham em queda com impasse no Brexit e tensão EUA-China

Washington voltou a restringir negócios com empresas do país, entre elas a fabricante de microchips SMIC; negociação por mais estímulos também foi monitorada

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 07h30
Atualizado 24 de dezembro de 2020 | 20h36

Os mercados acionários da Ásia, da Europa e de Nova York fecharam na maioria em queda, nesta sexta-feira, 18, de olho nas novas tensões entre Estados Unidos e China, após Washington restringir negócios com empresas do país, entre elas a fabricante de microchips SMIC. Além disso, também pesou o impasse em torno de um acordo comercial pós-Brexit entre as autoridades europeias.

Além de afetar os negócios da SMIC, a decisão dos EUA também impactou mais de 60 instituições da China, que passam a sofrer com uma série de restrições a exportações para o país americano, o que afetou duramente os negócios. Apenas a SMIC, por exemplo, teve baixa de 5,2% na Bolsa chinesa.

Sobre as negociações entre Londres e Bruxelas, o premiê britânico, Boris Johnson, avalia que o Reino Unido continuará negociando o acordo comercial pós-Brexit com a União Europeia, mas avalia que as tratativas estão "difíceis". Ontem, 17, parlamentares da UE deram um ultimato de que domingo, 20, será o último dia para que um acordo seja apresentado, a fim de ser votado pelos parlamentares até o fim do ano, quando termina o período de transição.   

Também pesou o impasse nas negociações por uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados Unidos, travadas após um senador republicano tentar incluir no projeto de lei termos que limitam a atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Depois que o republicano Josh Hawley sugeriu incluir uma rodada de pagamentos diretos no valor de US$ 1,2 mil, o senador Ron Johson, da mesma legenda, expressou oposição e reclamou que o pacote que vem se desenhando é "grande demais".

As divergências podem parar todo o funcionamento do governo, que entrará em shutdown se não houver entendimento sobre o Orçamento até meia-noite. Seja como for, a cúpula dos dois partidos se prepara para fechar um acordo antes de entrar em recesso de fim de ano. Segundo reportagem do Politico, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, e a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, instruíram suas equipes a finalizarem o texto do projeto de lei "nas próximas horas".

Bolsas de Nova York

Após terem renovado recorde na véspera, as bolsas de Nova York tiveram uma sexta-feira de perdas, em uma conjunção de realização de lucros e os efeitos do chamado quadruple witching, vencimento simultâneo de quatro tipos diferentes de contratos futuros ligados a ações. A isso, soma-se o impasse nas negociações por uma nova rodada de estímulos fiscais. 

Em meio a essa confluência de riscos, as bolsas nova-iorquinas caíram hoje, no dia em que expiraram os contratos futuros de índices, de ações, opções sobre índice e opções sobre ações - fenômeno conhecido como quadruple witching. Com isso, o índice Dow Jones recuou 0,38%, a 30.187,86 pontos, o S&P 500 cedeu 0,34%, a 3.709,83 pontos e o Nasdaq perdeu 0,07%. Na semana, contudo, avançaram 0,46%, 1,25% e 3,05%, respectivamente,

embalados por avanços no processo de distribuição de vacinas para a covid-19.

Bolsas da Ásia

A Bolsa de Tóquio terminou com baixa de 0,16%, após o Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) manter os juros no mesmo nível, mas estender seu programa de alívio por mais seis meses. Os índices chineses de Xangai e Shenzhen também caíram 0,29% e 0,31%, após a nova investida americana. Em Hong Kong, o índice Hang Seng cedeu 0,67%.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi destoou da maioria e fechou em alta de 0,06%. Ações de farmacêuticas e concessionárias exibiram ganhos, mas as de transportes marítimos recuaram, com o avanço da covid-19 no país igualmente em foco. Em Taiwan, o índice Taiex terminou em baixa de 0,06%. Na Oceania, a Bolsa de Sydney terminou em baixa de 1,20%.

Bolsas da Europa 

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou o dia em retração de 0,35%, mas apesar da perda diária, o saldo semanal foi positivo, de 1,48%. Londres caiu 0,33%, Paris cedeu 0,39% e Frankfurt cedeu 0,27%. Lisboa fechou em baixa de 1,30% e Milão teve recuo de 0,16%. Já na Espanha, Madri cedeu 1,42%.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira, no maior valor desde março, em meio à expectativa de acordo por um novo pacote fiscal nos Estados Unidos e apostando na retomada da economia global, em grande parte por conta do desenvolvimento de vacinas contra a covid-19.

O contrato do WTI para fevereiro fechou em alta de 1,44%, cotado a US$ 49,24 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês subiu 1,48%, a US$ 52,26 o barril./ MAIARA SANTIAGO, MATHEUS ANDRADE E PEDRO CARAMURU

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