Courtney Cox/ New York Stock Exchange via AP
Courtney Cox/ New York Stock Exchange via AP

Mercados internacionais fecham mistos após BC dos EUA sinalizar alta dos juros

Federal Reserve disse que pode começar a elevar os juros a partir de 2023, e não mais em 2024 e também elevou suas perspectivas para a inflação

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2021 | 17h30

Os principais índices do exterior fecharam mistos nesta quinta-feira, 17, precificando a postura do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que talvez será necessário elevar os juros mais cedo do que se imaginava. Ontem, a entidade monetária manteve sua política pró-estímulos inalterada.

O Fed surpreendeu os investidores, ao apontar que poderá fazer dois reajustes nos juros, atualmente entre 0% e 0,25% ao ano, já em 2023, e não mais em 2024. Além disso, o banco central americano elevou suas projeções de inflação para este e o próximo ano, diante da persistência da alta dos preços nos EUA.

O Bank of America diz que o presidente do Fed, Jerome Powell, pode sinalizar de modo mais explícito o início da retirada das compras de bônus em setembro, mas já vê a reunião de ontem como um passo nessa direção.

"O Fed pode ter enviado uma mensagem mais agressiva aos mercados do que muitos esperavam", comentou Yeap Jun Rong, estrategista do IG, em nota a clientes. Yeap, contudo, fez a ressalva de que visões divergentes entre membros do comitê de política monetária do Fed sugerem que "muito vai depender" de como será a recuperação econômica dos EUA.

No entanto, a retomada ainda ocorre de maneira desigual no país. O número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiu 37 mil na semana encerrada em 12 de junho, a 412 mil, segundo dados com ajustes sazonais publicados pelo Departamento do Trabalho americano. O resultado frustrou analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda a 360 mil solicitações. 

Ainda na agenda de indicadores, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 2% em maio, na comparação anual, após alta anual de 1,6% em abril. O resultado veio em linha com a expectativa de analistas e dentro da meta de 2% do Banco Central Europeu.

Bolsas de Nova York

A decisão do Fed deixou Nova York mista, com Dow Jones e S&P 500 caindo 0,62% e 0,04% cada, enquanto o Nasdaq subiu 0,87%. O dia também não foi favorável para o mercado de renda fixa, que apesar de ser beneficiado pela decisão do Fed de aumentar os juros, foi afetado pelo alta nos pedidos de auxílio-desemprego, um sinal de que a recuperação não é disseminada nos EUA. O rendimento dos papéis com vencimento para dez e trinta anos caíram 1,5% e 2,1% cada.

Bolsas da Europa

No mercado europeu, o pregão foi de perdas. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, cedeu 0,12%, enquanto a Bolsa de Londres recuou 0,44%. Milão, Madri e Lisboa também tiveram quedas de 0,21%, 0,07% e 0,83% cada.

Na contramão, a Bolsa de Frankfurt subiu 0,11% e Paris teve alta de 0,20%, ambas apoiadas na alta das ações do setor bancário.

Bolsas da Ásia

O sinal foi misto no continente asiático. A Bolsa de Hong Kong subiu 0,43% e a de Taiwan teve alta de 0,22%. Os índices chineses de Xangai e Shenzhen tiveram ganhos de 0,21% e 1,16% cada. Na contramão, a Bolsa de Tóquio caiu 0,93%, enquanto Seul recuou 0,42%.

Já na Oceania, a bolsa australiana caiu 0,37% hoje, após encerrar os quatro pregões anteriores em níveis recordes.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa hoje, em sessão fortemente influenciada pela alta do dólar ante outras divisas, que seguiu a decisão de política monetária do Fed. A chance de reajuste nos juros em 2023 valorizou a moeda local, e tornou a commodity, cotada em dólar, mais cara para detentores de outras divisas. O recuo vem ainda depois de uma série de altas que haviam levado o barril aos maiores preços em anos.    

WTI com entrega prevista para julho fechou em baixa de 1,54%, a US$ 71,04. Já o Brent para agosto teve queda de 1,76%, a US$ 73,08 o barril.  /MAIARA SANTIAGO, MATHEUS ANDRADE, SERGIO CALDAS E GABRIEL BUENO DA COSTA

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