Gulabuddin Amiri/AP
Gulabuddin Amiri/AP

Bolsa de Nova York sobe 0,31%, mas Europa cai em dia marcado por tensão no Afeganistão

Além do rápido avanço do Taleban no país, alta nos casos da variante Delta da covid na Alemanha e dados fracos da economia chinesa chamaram atenção

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2021 | 17h30
Atualizado 16 de agosto de 2021 | 19h38

Os principais índices do exterior fecharam mistos nesta segunda-feira, 16, de olho nos acontecimentos recentes envolvendo o Afeganistão, no avanço da variante Delta da covid e também na divulgação de dados da economia chinesa e americana, que vieram abaixo do esperado. Em Nova York, porém, os índices bateram recorde.

A retomada do Afeganistão pelo Taleban ficou no foco do mercado hoje, principalmente após o grupo tomar o controle, rapidamente, da capital Cabul, no final de semana. A saída das tropas americanas do país afegão preocupa o mercado, pois além de prováveis desdobramentos do fato em si, há ponderações sobre se isso poderia reforçar riscos de ataques terroristas.

Aumentando ainda mais a aversão aos riscos, o avanço da variante Delta, agora na Alemanha, também é observado de perto. O Commerzbank diz que os pacientes infectados com a cepa no país são em sua maioria adolescentes e jovens adultos, com riscos menores de quadros graves. No entanto, o número de casos continua subindo a níveis preocupantes.

Na agenda de indicadores, o índice de atividade industrial Empire State, que mede as condições da manufatura no Estado de Nova York, recuou do nível recorde de 43 em julho para 18,3 em agosto. O resultado veio abaixo da previsão já pessimista de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que esperavam baixa do indicador a 29 neste mês.

Porém, foram os dados da China os mais decepcionantes. As vendas no varejo subiram 8,5% e a produção industrial aumentou 6,4% entre julho de 2021 e o mesmo mês de 2020 no país. Já os investimentos em ativos fixos se elevaram 10,3% entre janeiro e julho deste ano. Apesar das altas, os três indicadores frustraram as expectativas de analistas, e indicaram um impacto da covid sobre a economia chinesa maior que o sugerido por Pequim, segundo avalia a High Frequency Economics (HFE)

"Tivemos uma indicação da desaceleração nos números comerciais  da China na semana passada. No entanto, a extensão  da desaceleração na produção industrial mais recente e nas vendas de varejo em julho gerou uma fragilidade significativa a empresas ligadas ao ciclo econômico asiático, em especial chinês", diz o analista chefe da CMC Markets, Michael Hewson.

Bolsa de Nova York

O dia também foi fraco em Nova York, mas Dow Jones e S&P 500 conseguiram se recuperar, fechando com altas de 0,31% e 0,26%, o bastante para que eles registrassem novos recordes. O Nasdaq, no entanto, foi na contramão e caiu 0,20%

Bolsas da Europa

O clima negativo predominou no mercado europeu, com o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, em queda de 0,50%. A Bolsa de Londres cedeu 0,90%, enquanto Frankfurt registrou baixa de 0,32% e Paris, de 0,83%. Os índices de Milão, Madri e Lisboa tiveram quedas de 0,76%, 0,81% e 0,02%, cada.

Bolsas da Ásia

Os dados decepcionantes deixaram o mercado chinês sem sinal único, com Xangai em alta de 0,03% e Shenzhen em baixa de 0,58%. Em outros locais, a Bolsa de Tóquio cedeu 1,62% - apesar da notícia de que o Produto Interno Bruto japonês subiu 1,62% no segundo trimestre -, enquanto Hong Kong caiu 0,80% e Taiwan, 0,73%. Seul não operou devido a um feriado local.

Na Oceania, a Bolsa australiana fechou em baixa de 0,61%, após recordes históricos recentes. Ações do setor financeiro estiveram entre as mais penalizadas hoje, com mineradoras também em queda.

Petróleo

Os contratos futuros de  petróleo fecharam em baixa hoje. A commodity operou pressionada pela cautela diante de dúvidas quanto à recuperação global, reforçadas por sinais de desaceleração na economia chinesa. O temor com a variante Delta e as medidas de restrição impostas para tentar conter sua propagação são observados pelo potencial impacto na demanda.

O barril do petróleo WTI com entrega prevista para setembro recuou 1,68%, a US$ 67,29, enquanto o do Brent para o mês seguinte teve queda de 1,53%, a US$ 69,51 o barril. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL, GABRIEL CALDEIRA E GABRIEL BUENO DA COSTA

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