Colin Ziemer/New York Stock Exchange via AP
Colin Ziemer/New York Stock Exchange via AP

Mercados internacionais fecham sem sentido único antes da posse de Biden

No entanto, investidores estão otimistas com chance de novo governo democrata ampliar as medidas de estímulo para a economia e avançar ainda mais no plano de imunização americano

Matheus Andrade e Gabriel Caldeira, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2021 | 16h35
Atualizado 19 de janeiro de 2021 | 19h07

Os principais índices do exterior fecharam sem sentido único nesta terça-feira, 19, faltando apenas um dia para a posse de Joe Biden como 46ª presidente dos Estados Unidos. Na Ásia, o tom foi mais positivo, mas, na Europa, com os investidores atentos ao avanço da covid-19 e o cenário político do continente, os índices caíram.

Apesar do tom misto do mercado, são grandes as expectativas para o início do governo Biden, como o aumento das medidas de expansão e incentivo fiscal, principalmente após a cerimônia do Senado para confirmar Janet Yellen como a próxima secretária do Tesouro. Na ocasião, ela defendeu o pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão e disse que é preciso "agir com grandeza" para superar a crise. Além disso, há a esperança de que o democrata consiga acelerar o plano de vacinação contra a covid no país americano, que tem sido alvo de críticas no final da gestão Donald Trump.

Já a pandemia continua avançando no continente europeu, com o Reino Unido registrando mais uma vez seu recorde diário de mortos. Na Alemanha, a expectativa é de que o lockdown seja renovado até o dia 14 de fevereiro. Em Portugal, também houve recorde de óbitos e há a ameaça de escolas fechadas em caso de se constatar que a variante britânica mais contagiosa é a dominantes no país, aumentando as restrições.

Na Itália, o Danske Bank destaca que o primeiro-ministro Giuseppe Conte superou uma moção de censura ontem na Câmara dos Deputados, mas passará pelo mesmo voto hoje no Senado, com maior risco de derrota, o que o forçaria a renunciar ao posto.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta terça em alta, à espera da posse de Biden. Na volta do feriado de Martin Luther King, o Dow Jones avançou 0,38%, o S&P 500 subiu 0,81% e o Nasdaq registrou ganho de 1,53%.  

A temporada de balanços também movimentou o mercado. Entre as companhias que divulgaram os resultados corporativos do último trimestre de 2020, Goldman Sachs caiu 2,26% e Bank of America recuou 0,73%. Na visão da Capital Economics, a euforia dos investidores sobre os ganhos corporativos não está em estágios que sugiram uma "bolha" no mercado acionário americano.

Bolsas da Ásia

Apesar do sinal misto, o mercado asiático fechou majoritariamente em alta, apoiado pelo ganho das ações do setor de tecnologia e montadoras. O mercado operou, de modo geral, voltado para a expectativa de recuperação global, ainda que no próprio Japão o quadro da covid-19 continue a inspirar cuidados. A Bolsa de Hong Kong subiu 2,70%, enquanto a da Coreia do Sul teve ganho de 2,61%. Taiwan avançou 1,70%.

Na contramão, as Bolsas chinesas de XangaiShenzhen caíram 0,83% e 0,96% cada. Na Oceania, o mercado australiano subiu 1,19% com alta de bancos e mineradoras.

Bolsas da Europa

Com o avanço da pandemia ditando os negócios, o mercado europeu fechou em baixa. O índice pan-europeu Stoxx 600, que concentra as principais empresas do continente, caiu 0,19%. A Bolsa de Londres cedeu 0,11%, a de Frankfurt caiu 0,24% e a de Paris recuou 0,33%.

Milão e Madri tiveram baixas de 0,25% e 0,67% cada. Na contramão, apoiada pela alta de petrolíferas, a Bolsa de Lisboa fechou em alta de 0,35%.

Petróleo

petróleo fechou o pregão desta terça em alta, apesar de a Agência Internacional de Energia (AIE) ter alertado para o impacto dos novos lockdowns na demanda pelo barril. Impulsionada pela fraqueza do dólar, a commodity também se beneficiou do apetite por risco nos mercados antes da posse de Biden e diante da expectativa de Janet Yellen ajudar na aprovação do pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão sugerido pelo democrata.

Com isso, o barril do WTI para fevereiro subiu 1,18%, a US$ 52,98. O Brent para março, por sua vez, avançou 2,10%, a US$ 55,90 o barril. Em meio à alta do petróleo, ações do setor subiram. Em Lisboa, a Galp avançou 1,94% e em Paris, a Total avançou 0,46%./ COLABORARAM GABRIEL BUENO DA COSTA E IANDER PORCELLA

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