Franck Robichon/EFE/EPA
Franck Robichon/EFE/EPA

Mercados internacionais fecham sem sentido único em dia de realização de lucros

Apesar da alta do pregão anterior, investidor voltou a ficar atento ao aumento no rendimento dos títulos do Tesouro americano, que podem provocar uma debandada dos mercados acionários

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2021 | 18h27
Atualizado 02 de março de 2021 | 20h46

Apesar do movimento de alta do dia anterior, os principais índices do exterior fecharam sem sentido único nesta quarta-feira, 2, dia em que novos dados econômicos foram monitorados na Europa. Além disso, investidores voltaram a monitorar, com preocupação, o mercado de títulos públicos americano, diante das projeções de alta da inflação nos Estados Unidos.

"Estamos apenas tomando fôlego depois de ontem", explicou o diretor de investimentos da gestora Kleinwort Hambros, Fahad Kamal, sobre o desempenho dos principais índices acionários nesta terça. "O estado do mercado de títulos está ditando tudo", acrescentou. Os títulos do Tesouro americano, conhecidos por Treasuries, têm preocupado os investidores nos últimos dias, principalmente após a melhora no rendimento do ativo.

O rendimento atrelado à inflação é uma das principais preocupações, já que, ao que tudo indica, os indices inflacionários dos EUA devem subir para 2% no longo prazo, em sintonia com a recuperação da economia americana. Por ser considerado um dos ativos mais seguros do mundo, o temor é que a melhora no rendimento provoque uma debandada nos mercados acionários de todo mundo, principalmente nos de países emergentes.

A Europa, porém, ainda teve algum otimismo, após a informação de que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 0,9% na comparação anual de fevereiro - um pouco abaixo da estimativa de analistas, que previam alta de 1%.  

Bolsas de Nova York

Em Nova York, os mercados fecharam em queda, com ações do setor de tecnologia caindo na maioria e pressionando os principais índices acionários. Além disso, investidores monitoraram de perto o mercado de títulos públicos americano.

O Dow Jones fechou em baixa de 0,46%, o S&P 500 recuou 0,81% e o Nasdaq encerrou o pregão em queda mais íngreme, de 1,69% - as ações da Apple e da Microsoft, as de maior peso do índice, caíram 2,09% e 1,30%, respectivamente. Facebook também recuou 2,23%.

Bolsas da Ásia

O sinal negativo predominou no mercado asiático hoje, com a Bolsa de Tóquio fechando em queda de 0,86%, enquanto a de Hong Kong caiu 1,21% e a de Taiwan teve perda marginal de 0,04%.

Os índices chineses de XangaiShenzhen caíram 1,21% e 0,70% cada. Na contramão da Ásia, a Bolsa da Coreia do Sul voltou do feriado com alta de 1,03%. Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho hoje e caiu 0,40% em Sydney.

Bolsas da Europa

No continente europeu, o clima foi misto. O índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as principais ações da região, encerrou com ganho de 0,19%. A Bolsa de Londres teve alta de 0,38%, a de Paris, de 0,29% e a de Frankfurt, de 0,19%. Hoje, o órgão oficial de estatísticas da Alemanha disse que as vendas no varejo do país registraram queda de 4,5% em janeiro ante dezembro, em meio às restrições motivadas por uma segunda onda da covid.

Na contramão do movimento positivo, as Bolsas de Madri, Milão e Lisboa tiveram quedas de 0,78%, 0,27% e 0,41% cada.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa, em sessão marcada pela expectativa pelos desdobramentos da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+), para a qual são cogitadas reduções nos cortes da produção. Durante a sessão, a commodity chegou a operar com ganhos, impulsionada pelo dólar enfraquecido perante os pares, em especial o euro, o que a torna mais barata para detentores de outras divisas.    

O petróleo WTI para abril fechou em baixa de 1,47%, cotado a US$ 59,75 o barril, enquanto o Brent para maio caiu 1,55%, a US$ 62,70 o barril./ MAIARA SANTIAGO, GABRIEL CALDEIRA, SERGIO CALDAS E ANDRÉ MARINHO

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