Hiroko Masuike/The New York Times
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Mercados internacionais fecham em queda ante novo avanço de covid-19 nos EUA

Temor de nova onda de coronavírus paira no país norte-americano e em partes do continente europeu; no noticiário financeiro, previsões negativas do FMI também preocupam

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2020 | 07h17
Atualizado 24 de junho de 2020 | 19h15

Os principais índices do mercado internacional fecharam em queda nesta quarta-feira, 24, ante o cenário de novo avanço da covid-19 nos Estados Unidos e em parte da Alemanha. A esse cenário, também se soma a mais recente investida dos EUA contra a União Europeia e as mais recentes previsões negativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo dados recentes, os EUA vêm registrando aumento no número de infecções por covid-19 desde que começou a remover medidas de isolamento motivadas pela doença. Na terça, 23, o assessor de saúde da Casa Branca Anthony Fauci alertou que houve um "salto perturbador" nos novos casos em alguns Estados americanos, como TexasFlórida e Arizona. Além disso, a Alemanha tem relatado surtos regionais de coronavírus.

Já segundo as previsões do FMI para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, a China será um dos poucos países que apresentarão expansão do PIB neste ano, segundo o FMI, de +1,0%, marca pouco inferior à previsão de 1,2% realizada recentemente pelo Fundo. Para 2021, a estimativa de crescimento do país asiático baixou de uma alta de 9,2% para 8,2%.

Em relação aos EUA, a previsão para o PIB de 2020 agora é de uma queda de 8,0%, uma retração mais grave que os -5,9% estimados em abril. Em relação a 2021, a projeção baixou de uma alta de 4,7% para 4,5%.

A zona do euro registrará uma contração ainda mais acentuada neste ano, cuja projeção passou de -7,5% para -10,2%. Para 2021, ocorreu uma alta da estimativa de crescimento, de 4,7% para 6,0% na região.

Ásia e Oceania

O índice acionário japonês Nikkei teve ligeira baixa de 0,07%, a 22.534,32 pontos, e o Hang Seng caiu 0,50% em  Hong Kong, a 24.781,58 pontos, mas o sul-coreano Kospi avançou 1,42%, a 2.161,51 pontos, impulsionado por ações do setor manufatureiro, e o Taiex subiu 0,42% em Taiwan, a 11.660,67 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto avançou 0,30%, a 2.979,55 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto ficou estável, com ganho marginal de 0,01%, at 1.947,73 pontos. Um feriado nacional vai manter os mercados chineses fechados na quinta e sexta-feira. Na Oceania, a bolsa australiana teve modesta valorização nesta quarta, com alta de 0,19% do S&P/ASX 200, a 5.965,70 pontos.

Europa

Por lá, uma nova tensão, agora entre Estados Unidos União Europeia, também chamou a atenção. Nesta quarta, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA, disse que estuda impor tarifas a US$ 3,1 bilhões de exportações da UE, em novo capítulo de uma longa disputa protagonizada por Washington e o bloco europeu. Com isso, o Stoxx 600 encerrou com baixa de 2,78%.

Na Europa, a nova desavença com os EUA somada ao avanço da covid-19 derrubaram as Bolsas locais, que fecharam em forte queda. Por lá, também pesou a previsão do FMI de queda do PIB dos países do bloco. Com isso, Londres teve recuo de 3,11% e Frankfurt cedeu 3,43%. Em ParisMilão e Madri, as quedas foram de 2,92%, 3,42% e 3,27%, cada. Em Lisboa, a Bolsa caiu 1,75%.

Bolsas de Nova York

Nos EUA, também pesou as incertezas do Federal Reserve (Fed, o BC americano). O presidente da distrital de Chicago, Charles Evans, disse que a recuperação da economia americana ao nível anterior à pandemia deve vir apenas no fim de 2022, além de descartar o uso de juros negativos nos EUA. Já o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, avaliou que há "muitas incertezas", mas disse esperar recuperação no segundo semestre e também reafirmou que o Fed pode "fazer mais", se preciso.

Porém, o destaque foi a tensão entre EUA e União Europeia, somada ao aumento de casos da doença, que também pesou para os índices das Bolsas de Nova York. O Dow Jones caiu 2,72%, o S&P 500 teve recuo de 2,59% e o Nasdaq cedeu 2,19%.

Petróleo

Além do aumento de casos da covid-19 nos EUA, o mercado de petróleo refletiu o relatório semanal do Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) americano. Segundo o órgão, os estoques aumentaram 1,442 milhão de barris na semana, acima da previsão de alta de 600 mil dos analistas, enquanto a produção média diária também subiu.

Em resposta, o WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou em queda de 5,84%, a US$ 38,01 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, recuou 5,44%, a US$ 40,31 o barril - no ativo, pesou também a mais recente troca de farpas entre Washington e União Europeia./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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