Kevin Lamarque/Reuters - 2019
Kevin Lamarque/Reuters - 2019

Mercados internacionais fecham em alta após Trump reafirmar acordo comercial EUA-China

Em tuíte publicado durante a madrugada, Trump garantiu que a 'fase 1' dos EUA com os chineses continua 'integralmente intacta'

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 07h00
Atualizado 23 de junho de 2020 | 20h09

As Bolsas da Ásia, da Europa e de Nova York fecharam em alta generalizada nesta terça-feira, 23, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmar que o acordo comercial preliminar de Washington com a China permanece em vigor. 

Em tuíte publicado durante a madrugada, Trump garantiu que o acordo comercial "de fase 1" dos EUA com os chineses continua "integralmente intacto". "Tomara que eles continuem a seguir os termos do acordo!", acrescentou o presidente. 

(O acordo com a China está integralmente intacto. Tomara que eles continuem a seguir os termos do acordo!)  

O gesto de Trump veio após o assessor de comércio da Casa Branca, Peter Navarro - um notório crítico da China -, dizer em entrevista à Fox News que o acordo havia "acabado". Posteriormente, Navarro tentou esclarecer seus comentários, alegando ao The Wall Street Journal que haviam sido "totalmente tirados de contexto".

"Eles não tiveram nada a ver com a fase 1 do acordo comercial, que continua em vigor", afirmou Navarro. "Eu estava simplesmente falando sobre a falta de confiança que temos agora em relação ao Partido Comunista Chinês após eles mentirem sobre as origens do vírus chinês e impingirem uma pandemia ao mundo", completou, referindo-se ao coronavírus.

A fala inicial de Navarro pesou nos mercados asiáticos, que abriram os negócios desta terça em baixa antes de se recuperarem. Contudo, a expectativa fica também para o pregão de amanhã, após Donald Trump ter voltado a criticar a China no final da tarde, ao dizer que o coronavírus foi um 'presente' dos asiáticos.

Bolsas da Ásia

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,50% em Tóquio, a 22.549,05 pontos, enquanto o chinês Xangai Composto avançou 0,18%, a 2.970,62 pontos, e o Hang Seng se valorizou 1,62% em Hong Kong, a 24.907,34 pontos. Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi avançou 0,21% em Seul, encerrando o pregão a 2.131,24 pontos, o Shenzhen Composto - índice chinês de menor abrangência - subiu 0,56%, a 1.947,45 pontos, e o Taiex registrou ganho de 0,34% em Taiwan, a 11.612,36 pontos.

Ainda que tenha ficado em segundo plano, o coronavírus permanece no radar, após voltar a ganhar força nos EUA em meio ao processo de reabertura da economia local, e o recente ressurgimento da covid-19 em Pequim, a capital chinesa.

Na Oceania, a Bolsa australiana seguiu o tom positivo da região asiática, e o S&P/ASX 200 teve modesta valorização de 0,17% em Sydney, a 5.954,40 pontos.

Bolsas da Europa 

Também animou o mercado, a divulgação prévia dos indicadores de atividade (PMIs) na Europa. O PMI composto da zona do euro subiu de 31,9 em maio para 47,5 em junho, enquanto no Reino Unido, o mesmo indicador avançou de 30 em maio para 47,6 neste mês. Já na Alemanha, o PMI composto saiu de 32,3 em maio para 45,8 em junho. Com o resultado positivo, o  Stoxx 600 fechou com ganho de 1,30%.

Com isso, as Bolsas europeias também tiveram ganhos consistentes. Londres subiu 1,21% e Frankfurt avançou 2,13%. Paris, Milão Madri tiveram ganhos de 1,39%, 1,86% e 1,26%, respectivamente. Em Lisboa, a alta foi mais modesta, de 0,80%.

Bolsas de Nova York

Por lá, a declaração de Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, de que um novo pacote de estímulos de apoio às empresas do governo americano poderá ser apresentado em julho, animou o investidor. Além disso, o principal infectologista americano, Anthony Faucci, disse que está "otimista" com uma vacina para o vírus e que ela pode estar pronta para uso ainda em meados de janeiro de 2021

Em resposta, as Bolsas de  Nova York fecharam também em alta. O Dow Jones teve alta de 0,50%, o S&P 500 subiu 0,43% e o Nasdaq ganhou 0,74%. Na parte da manhã, os índices subiam mais de 1%, porém, com o novo ataque de Trump aos chineses, os ganhos recuaram já no final da tarde.

Petróleo

Nem mesmo a continuidade do acordo comercial EUA-China ajudou a commodity a segurar os ganhos vistos no pregão anterior, quando fechou acima de US$ 40 pela primeira vez desde março. No mercado de petróleo nesta terça, pesou o aumento de casos do coronavírus nas Américas, que pode reduzir a demanda, e a falta de um posicionamento mais duro da  Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+)  sobre os cortes nos barris.

Nesse cenário, o petróleo WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou em queda de 0,88%, US$ 40,37. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, recuou 1,04%, a US$ 42,63 o barril./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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