Aly Song/Reuters
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Mercados internacionais fecham sem sentido único influenciados por anúncio do Fed

Ásia teve poucos ganhos e Europa caiu, à espera de discurso que veio apenas no final do dia; em NY, após a fala de Powell, os resultados também foram mistos

Sergio Caldas e Maiara Santiago, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2020 | 07h00
Atualizado 10 de junho de 2020 | 19h37

Os mercados da Ásia e da Europa fecharam em queda nesta quarta-feira, 10, após dados econômicos ruins em ambos os continentes. Já os índices de Nova York encerraram o pregão sem sentido único, após um discurso pessimista do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) - que, aliás, foi extremamente aguardado por investidores do mundo inteiro hoje.

A notícia que o mercado esperava, veio apenas quando as Bolsas da Ásia e da Europa já estavam fechadas. Em decisão divulgada nesta quarta, o Fed decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos entre 0% e 0,25% até 2022. Além disso, o órgão também se comprometeu em continuar com os estímulos por um 'longo período'.

No entanto, foi o discurso pessimista de  Jerome Powell, presidente do Fed, que impactou os investidores. Após o mercado comemorar o fato dos Estados Unidos ter criado mais de 2,5 milhões de vagas em maio, ele fez questão de ressaltar o fato de que muitas pessoas talvez não consigam recuperar seus empregos no final da crise.

O presidente do órgão também apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA para o 2º trimestre deve mostrar o recuo mais severo da história americana. Powell apenas aliviou no final, ao estimar que a economia do país deve crescer 5% em 2021.

Além do cenário pessimista vindo dos EUA, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também traçou perspectivas negativas para PIB global, com uma contração de 6% em 2020

Bolsas da Ásia 

O dia começou fraco na ChinaCom o impacto do coronavírus, os últimos números da inflação do País ficaram abaixo do esperado. A taxa anual de inflação ao consumidor desacelerou de 3,3% em abril para 2,4% em maio, ante projeção de 2,6% de analistas. Já o ritmo de queda anual dos preços ao produtor se aprofundou de 3,1% para 3,7% no mesmo período. Neste caso, a previsão era de recuo de 3,2% em maio.

Na Ásia, as Bolsas fecharam sem sinal único à espera do Fed. O japonês Nikkei subiu 0,15%, o Hang Seng teve baixa marginal de 0,03% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi avançou 0,31% e o Taiex registrou ganho de 0,71% em TaiwanNa China, os índices fecharam sem sinal único, com Xangai Composto recuando 0,42% e o Shenzhen Composto subindo 0,30%. Na Oceania, o S&P/ASX avançou 0,06% em Sydney

Bolsas da Europa 

Além da espera pelo Fed, o cenário local também pesou aos europeus. O vice-presidente do Banco Central Europeu, Luis de Guindos, comentou que a economia da zona do euro só deve retornar aos níveis pré-pandemia daqui a dois anos. Por lá, o Stoxx 600 encerrou em baixa de 0,38%.

Os demais índices do velho continente também registraram quedas. A Bolsa de Londres fechou com queda de 0,10% e a de Frankfurt recuou 0,70%. O índice de Paris teve baixa de 0,82% e o de Milão caiu 0,86%. Já Madri e Lisboa perderam 1,14% e 0,88%, respectivamente.

Bolsas de Nova York

Com o anúncio do Fed, as Bolsas de Nova York acabaram por encerrar sem sinal único, em um clima misto. O Dow Jones caiu 1,04% e o S&P 500 recuou 0,53%. Apenas o Nasdaq encerrou com alta de 0,67%, aos 10.020,35 pontos - novo recorde para um fechamento. Fortaleceu o índice, a alta das ações da Appleque bateu recorde ao ser a primeira empresa dos EUA a valer US$ 1,5 trilhão.

Os Treasuries, títulos da dívida americana, também foram influenciados pela decisão do Fed de não aumentar os juros básicos. No fim da tarde em Nova York, o retorno da T-note de 2 anos caía a 0,192%, o da T-note de 10 anos recuava a 0,727% e o do T-bond de 30 anos, a 1,504%

Petróleo 

commodity não se deixou influenciar pelo discurso pessimista de Powell e focou apenas nos detalhes positivos, como a perspectiva de retomada da economia dos EUA e a manutenção das taxas de juro perto de 0%. As boas notícias vindas do Fed ajudaram a apagar o impacto negativo do relatório do Departamento de Energia (DoE) americano, que apontou para um estoque de 5,72 milhões de barris - a expectativa era de apenas 1,2 milhão.

Nesta quarta, o petróleo WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta de 1,70% a US$ 39,60 o barril. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, avançou 1,34%, a US$ 41,73 o barril.

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