Ahn Young-joon/AP Photo
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Mercados internacionais fecham em queda com segunda onda de covid nos EUA e na Europa

Movimento na Europa vem sendo visto nos últimos dias a despeito de notícias cada vez mais encorajadoras sobre as vacinas contra o coronavírus

Mateus Fagundes e Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2020 | 07h30
Atualizado 19 de novembro de 2020 | 19h25

A maioria das Bolsas da Ásia e da Europa fecharam em queda nesta quinta-feira, 19, seguindo a baixa vista em Nova York nas horas finais da sessão de quarta-feira, 18, à medida que as contaminações do novo coronavírus nos Estados Unidos aumentam e causam novas medidas de restrição social. O temor dos efeitos econômicos desta nova tendência de lockdown suplantou o otimismo com a eficácia de 95% da vacina da Pfizer e da BioNTech. Em Nova York, no entanto, a chance de novos estímulos ajudaram os índices no final do pregão.

"As preocupações com o impacto de curto prazo do recente aumento nos casos ofuscaram desenvolvimentos positivos adicionais na frente de vacinas", disseram Prakash Sakpal e Nicholas Mapa, do ING em um relatório.

Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, deu o tom para o temor visto hoje nos mercados, ao mostrar preocupação com o aumento de casos de covid-19 em discurso ao Parlamento Europeu. Segundo a dirigente, é esperado que a segunda onda de infecções impacte "gravemente" a economia europeia. "Embora as últimas notícias sobre a vacina pareçam encorajadoras, o recente aumento nos casos de coronavírus e a reimposição associada de uma série de medidas de contenção estão aumentando o nível já elevado de incerteza e representam um sério desafio para a zona do euro e a economia global", disse. 

Nos EUA, aUniversidade Johns Hopkins contabilizou ontem mais de 170 mil casos de covid-19 nos EUA em apenas 24 horas, levando o total a 11,5 milhões. Segundo a instituição, mais de 250 mil pessoas morreram no país em decorrência da doença. Hoje, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) do país emitiu uma orientação para que americanos evitem viajar no dia de Ações de Graças, feriado marcado para a próxima quinta-feira que tem grande valor cultural para os EUA. 

Bolsas da Ásia

Desta forma, o índice Nikkei, de Tóquio, terminou em queda de 0,36% e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 0,71%. A Bolsa de Taipei caiu para 13.722,43 pontos (-0,37%). Em Seul, o Kospi subiu 0,07%, com força de ações de montadoras como Hyundai, com 0,30% e Kia Motors, com 1,0%.

Na China, por sua vez, os mercados seguiram o otimismo dos últimos dias, em meio à percepção de que o país será menos afetado com uma segunda onda da doença. O índice Xangai Composto subiu 0,47% e o Shenzhen Composto avançou 0,63%. 

Bolsas da Europa 

O índice pan-europeu Stoxx-600 fechou com variação negativa de 0,75%. Já a Bolsa de Londres encerrou em queda de 0,8%, enquanto Frankfurt caiu 0,88% e Paris cedeu 0,67%. Na Bolsa de Madri, destacou-se o papel da Solaria Energía, empresa do ramo de energia renovável, que fechou com valorização de 12,22%.

O setor bancário espanhol, por outro lado, ajudou a puxar para baixo a Bolsa de Milão, que encerrou as negociações em queda de 0,67%. Já em Lisboa, o índice devolveu os ganhos de ontem e fechou com variação negativa de 1,14%. 

Bolsas de Nova York

Nova York fechou em alta hoje, em meio a expectativas para a retomada das negociações entre governo e oposição por uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados Unidos. "As equipes vão se sentar outra vez hoje e amanhã para ver se conseguem boas notícias sobre um projeto de alívio para a covid-19", disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, à NBC.

O índice Dow Jones encerrou o pregão com ganho de 0,15%, o S&P 500 subiu 0,39% e o Nasdaq avançou 0,87%. As ações do setor de tecnologia lideraram o movimento, com destaque para Alphabet, controladora do Google (+1,03%), Facebook (+0,36%) e Amazon (+0,37%).

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa hoje, com aumento na produção nos Estados Unidos e em países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Além disso, há a preocupação global com o impacto da covid-19 na recuperação econômica, com casos e mortes aumentando, assim como as restrições. O WTI para janeiro fechou em queda de 0,26%, a US$ 41,90 o barril. Já o Brent para igual mês encerrou as negociações com retração 0,32%, cotado a US$ 44,20 o barril.   

O Commerzbank observa o aumento dos estoques e da produção de petróleo nos EUA, como apontado ontem pelo Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) do país. "A produção de petróleo dos EUA aumentou em 400 mil barris, para 10,9 milhões de barris por dia, embora isso tenha sido apenas um retorno ao normal após interrupções relacionadas com o furacão nas duas semanas anteriores", diz a instituição. / COLABORARAM MAIARA SANTIAGO E MATHEUS ANDRADE

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