Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA
Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA

Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

Mercados internacionais fecham sem sinal único, após ameaça a Hong Kong agravar tensões EUA-China

Na Ásia, também pesa o fato da China, pela primeira vez, decidir não traçar uma meta para o PIB deste ano; Europa e NY fecharam com altas

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2020 | 07h00
Atualizado 28 de maio de 2020 | 12h26

As Bolsas da Ásia, Europa e Nova York fecharam em baixa generalizada nesta sexta-feira, 22, após a China anunciar que vai impor novas leis de segurança nacional a Hong Kong, em um gesto que deteriora ainda mais as relações com os Estados Unidos. Além disso, pesa o fato de o país asiático, segunda maior economia do mundo, decidir não estabelecer uma meta de crescimento para este ano, reforçando preocupações sobre o impacto econômico da pandemia de coronavírus

Na quinta-feira, 21, um porta-voz do Legislativo chinês informou que parlamentares vão deliberar sobre um projeto de resolução para reforçar mecanismos de segurança com o objetivo de "interromper atividades subversivas e a interferência estrangeira" em Hong Kong. O Congresso Nacional do Povo, que iniciou sua reunião anual nesta sexta, deve aprovar a resolução na próxima semana.

O anúncio vem num momento de crescentes tensões entre EUA e China, alimentadas em grande parte por críticas do governo americano à forma como Pequim vem lidando com o surto do novo coronavírus, que teve origem na cidade chinesa de Wuhan, no fim do ano passado.

Na quinta, Donald Trump, disse que haverá uma "reação muito forte" de Washingtonse a China seguir adiante com seu plano para Hong Kong. Há menos de um ano, a região foi palco de violentas manifestações populares, motivadas por um polêmico projeto de lei que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental.

Já na reunião legislativa que começou na madrugada desta sexta-feira, 22, a China decidiu não fixar uma meta para seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, num reconhecimento dos desafios que enfrenta em meio a esforços para amortecer os impactos da covid-19, como é conhecida a doença provocada pelo coronavírus. É a primeira vez que o governo chinês não estabelece uma meta numérica de crescimento desde 1994. 

Bolsas da Ásia 

Longe da tensão EUA-China, no Japão, o banco central local (BoJ) anunciou um novo programa de financiamento para bancos, estimado 30 trilhões de ienes (US$ 279 bilhões), para incentivá-los a ampliar empréstimos a companhias afetadas pelo coronavírus. Já o BC da Índia (RBI) cortou juros, também em reação à covid-19.

Contudo, o aumento da tensão entre Estados Unidos e China derrubou os mercados da Ásia. O Hang Seng de Hong Kong liderou as perdas na região, com um tombo de 5,56%. Entre os chineses, o Xangai Composto encerrou com queda de 1,89% e o menos abrangente Shenzhen Composto se desvalorizou 2,02%. O japonês Nikkei caiu 0,80% em Tóquio, o sul-coreano Kospi recuou 1,41% em Seul e o Taiex registrou baixa de 1,79% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana seguiu o tom negativo da Ásia, e o S&P/ASX 200 caiu 0,96% em Sydney.

Bolsas da Europa

Notícias positivas animaram os mercados da Europa. O Banco Central Europeu (BCE) sinalizou que pode fazer mudanças no programa de compra de ativos e a Universidade de Oxford, no Reino Unido, anunciou que as pesquisas em torno de uma possível vacina contra o coronavírus seguirão para as próximas fases, após ter concluído a primeira etapa, iniciada em abril. Impulsionado pelo noticiário, o índice Stoxx 600 encerrou com baixa marginal de apenas 0,03%.

Porém, com o conturbado cenário político mundial, as Bolsas do velho continente fecharam sem sentido único. O FTSE 100 de Londres encerrou em queda de 0,37% e em Paris, o CAC 40 recuou 0,02%. Já em Frankfurt, o DAX subiu 0,07%. O FTSE MIB de Milão, o Ibex 35 de Madri e o PSI 20 de Lisboa ganharam 1,34%, 0,17% e 0,62%, respectivamente.

Bolsas de Nova York

As Bolsas de Nova York conseguiram contornar o embate entre as maiores potências atuais e quase fecharam em alta generalizada. O Nasdaq subiu 0,43% e o S&P 500 avançou 0,24%. O Dow Jones fechou com queda de 0,04%, após começar a subir nos minutos finais do pregão.

Entre as ações em foco, destaca-se a da Moderna, que teve alta de 2,91%, apoiada pela declaração de Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, de que a candidata à vacina contra o coronavírus desenvolvida pela farmacêutica é "promissora".

Petróleo   

commodity teve um dia negativo nesta sexta, após a China, uma das maiores consumidores de petróleo do mundo, anunciar que não vai traçar uma meta para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. A medida aumentou ainda mais os temores frente aos impactos do novo coronavírus na economia e colocou em cheque a eficácia do plano de retomada econômica do país asiático.

Com isso, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em queda de 1,98%, com ganho semanal de 12,6%. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, recuou 2,58%, a US$ 35,13 o barril, com alta semanal de 8,10%. As tensões EUA-China também ajudaram a desestabilizar o mercado do petróleo nesta sexta./COLABORARAM ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA E MAIARA SANTIAGO

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