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Mercados internacionais: Ásia e Europa fecham em queda, mas NY tem alta após Trump

Ásia encerrou sem direção única e Europa teve queda generalizada, mas Nova York conseguiu reverter quase que totalmente as perdas após a 'ausência' de novas restrições

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2020 | 07h00
Atualizado 29 de maio de 2020 | 21h09

As Bolsas da Ásia fecharam sem direção única nesta sexta-feira, 29, com os investidores à espera da coletiva de Donald Trump para anunciar as possíveis novas restrições contra a ChinaComo ela não veio a tempo do fim do pregão das Bolsas da Europa, elas também encerram em queda. Nova York chegou a registrar ganhos já que, no final, nenhuma 'novidade' foi anunciada pelo presidente americano.

O clima pesado entre as duas maiores potências do mundo já vem se arrastando há semanas, mas nesta sexta Trump pôs um 'fim' à situação, ao basicamente falar que vai manter as restrições aos cidadãos chineses, como as suspensões dos vistos de cidadãos do país que podem ser um risco aos Estados Unidos, e colocar um fim ao tratamento especial dos EUA a Hong Kong. Ele também disse que vai pedir uma avaliação das práticas de empresas chinesas que estão em solo americano.

No entanto, a tensão entre os países não pareceu entrar no foco para a capital da China. Na quinta-feira, 28, no encerramento da reunião anual do legislativo chinês, o primeiro-ministro Li Keqiang se voltou aos impactos do coronavírus e disse que Pequim tem espaço para agir com suas políticas fiscal e monetária caso ocorra nova deterioração da economia doméstica.

Bolsas da Ásia 

A expectativa em torno das restrições dos EUA deixaram a Ásia sem sinal único. O japonês Nikkei teve queda de 0,18% em Tóquio, enquanto o Hang Seng recuou 0,74% em Hong Kong e o Taiex registrou perda marginal de 0,02% em Taiwan. Os ganhos tomaram espaço na China continental e o Xangai Composto subiu 0,22%. O menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,95%. A Bolsa sul-coreana também ficou no azul, com ganho de 0,05% do Kospi. Já na Oceania, o S&P/ASX 200 caiu 1,63% em Sydney

Bolsas da Europa 

A Europa também ficou à espera de Trump, deixando de lado até mesmo importantes indicadores econômicos. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu apenas 0,1% na comparação anual de maio, desacelerando de 0,3% observado em abril. Mas foi a tensão entre as duas maiores potências que fez o Stoxx 600 encerrar com queda de 1,44%.

Brexit também pesou no velho continente. Na última quinta, o negociador chefe do Reino Unido para o tema, David Frost, disse que o país está longe de chegar a um acordo comercial com a União Europeia e que é preciso começar a planejar um cenário de saída do bloco sem o pacto.

As Bolsas da Europa tiveram quedas generalizadas. A maior delas foi em Londres, onde a Bolsa caiu 2,29%. Em Paris, o recuo foi de 1,59% e em Milão, de 0,84%. FrankfurtMadri e Lisboa tiveram quedas de 1,59%, 1,77% e 1,14%, respectivamente.

Bolsas de Nova York

No 'centro' do conflito, as Bolsas de Nova York fecharam quase totalmente no positivo após a coletiva de Trump, que ocorreu pouco tempo antes do encerramento do pregão. O Nasdaq avançou 1,29%, o S&P 500 teve ganho de 0,48% e o Dow Jones fechou em baixa de 0,07% - apesar de ter revertido os ganhos, assim como os demais índices, o Dow Jones não conseguiu evitar as perdas e fechou com baixa marginal.

Já o presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), voltou a dizer que juros negativos agora não seriam um instrumento benéfico para os EUA. Além disso, Jerome Powell garantiu que o banco central está focado para buscar condições na volta do pleno emprego no país, notando ainda o aumento na desigualdade com a pandemia.

Nesse cenário, os Treasuries, títulos da dívida americana, caíam no final da tarde em Nova York. O juro da T-note de 2 anos caía a 0,144%, o da T-note de 10 anos recuava a 0,651% e o do T-bond de 30 anos, a 1,415%

Petróleo 

Apesar dos conflitos EUA-China, a commodity fechou em alta nesta sexta, após a informação de que a atividade nos poços e plataformas dos Estados Unidos já caiu 15%. O clima também é favorecido pela retomada da economia chinesa, uma das maiores consumidoras de petróleo.

Hoje, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em alta de 5,28%, a US$ 35,49 o barril, com elevação de 6,73%% na comparação semanal. O Brent para agosto, referência no mercado europeu, subiu 5,02%, a US$ 37,84 o barril, e teve alta de 7,71% na comparação semanal./COLABORARAM ANDRÉ MARINHO, MARCELA GUIMARÃES E MAIARA SANTIAGO

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