Mercados já corrigiram euforia de fim de ano

O negócios no Brasil estão operando em níveis muito próximos dos patamares do início de dezembro, antes da euforia do final de ano. Ou seja, o otimismo excessivo já foi corrigido, e agora os investidores podem tentar nova reação, em níveis mais realistas, e atentos à crise da Argentina e à recuperação da economia norte-americana. Ao menos até as grandes rolagens de títulos cambiais no segundo trimestre e o aquecimento da campanha presidencial, no meio do ano.Os mercados vinham acompanhando as quedas nas bolsas norte-americanas desde o início do ano, mas nos últimos dias o dólar voltou a cair e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a subir. Essas variações não foram grandes, mas, de qualquer forma, podem indicar o início de uma nova tendência. Nos Estados Unidos, as baixas refletem as perdas com a falência da Enron e a recessão que o país atravessa. Os anúncios de resultados de empresas no quarto trimestre têm decepcionado e derrubado os preços das ações.Além disso, a crise argentina continua sendo muito preocupante. Por um lado, a população continua reagindo com violência às dificuldades geradas pela depressão econômica e medidas do governo, trazendo instabilidade. Por isso mesmo, a equipe de do presidente Eduardo Duhalde enfrenta sérias restrições à adoção de ações impopulares. Em função disso, há muitas dúvidas sobre os rumos do país, que pode não ter chegado ao ponto mais agudo de sua crise, ao menos do ponto de vista econômico.A boa notícia é que ontem o Fundo Monetário Internacional (FMI) concedeu uma carência de 12 meses para os pagamentos devidos pela Argentina. Enquanto os Estados Unidos exigem um pacote de medidas completo para a assistência à Argentina, a União Européia se pronunciou contra abandonar o país à sua própria sorte. Para os argentinos, isso pode representar a chegada, enfim, de um aliado de peso nas decisões do Fundo e com recursos para apoiá-los. Duhalde negocia um pacote de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões com o FMI e Banco Mundial. Ainda assim, a situação segue gravíssima.Porém, no Brasil, as empresas brasileiras seguem garantindo forte entrada de capitais, o que pressiona o dólar para cotações abaixo de R$ 2,40. Embora não se espere um da Selic - taxa básica referencial de juros da economia - já em janeiro, as previsões são de que ela não se mantenha nos atuais 19% ao ano por muito mais tempo. E o crescimento econômico projetado para 2002 de até 3%, ainda que modesto, soma-se às expectativas de fim do racionamento de energia e retomada da economia norte-americana, com efeitos positivos em todos os mercados.Rolagem de cambiais e eleições mais à frenteAssim, é possível algum otimismo até o segundo trimestre, quando o governo terá de rolar a maior parte dos títulos cambiais vigentes. Os investidores evitam papéis com vencimento no mandato do próximo presidente, e os leilões podem trazer muitas oscilações aos mercados. Exatamente para tentar evitar esse acúmulo de vencimentos, o governo tenta uma segunda rolagem antecipada de cambiais hoje. E, certamente até a metade do ano, as campanhas presidenciais passarão a influenciar os negócios. Quanto mais os investidores acreditarem ser as chances de ruptura da atual política econômica, maior será o pessimismo. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2002 | 07h44

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