Mercados já embutem rompimento do euro, diz UBS

Os mercados financeiros embutem nos preços dos ativos a possibilidade do rompimento da zona do euro, depois de o juro dos títulos do governo da Alemanha sinalizar que a crise está chegando na reta final, disse o UBS, terceiro maior banco estrangeiro do mundo, em nota divulgada hoje.

CYNTHIA DECLOEDT, Agencia Estado

26 de novembro de 2011 | 18h31

O juro dos bunds (título do Tesouro alemão) de 10 anos superou o nível que os investidores demandam para comprar títulos do governo do Reino Unido, da Suíça, dos Estados Unidos e do Japão, em um sinal de que os investidores estão cada vez mais nervosos em relação a crise soberana de dívida na Europa, disse o banco.

"Os investidores de renda fixa apostam ou a Alemanha se move em direção à união fiscal com seus parceiros da zona do euro ou, sem que o BCE compre ilimitados montantes de bônus soberanos no mercado secundário, a zona do euro irá se desmontar", disse o estrategista sênior de câmbio do UBS, Mansoor Mohi-udin.

Os bunds alemães de 10 anos são considerados um dos ativos mais seguros em tempos de estresse, mas nesta semana o governo não conseguiu vender todo o lote de novos papéis de referência, em um sinal de que o estresse recente do mercado de bônus atingiu economias que anteriormente eram consideradas seguras.

O banco observou também que o yield de algumas das economias mais fracas da zona do euro são negociados em níveis insustentáveis, como dos papéis de dez anos da Itália que superam 7%.

"O mal sucedido leilão de bunds da Alemanha desta semana cristalizou preocupações sobre o futuro do euro", Dise Mohi-udin. Ele acrescentou que a menos que o Banco Central Europeu concorde em oferecer apoio ilimitado para os mercados, comprando bônus soberanos europeus, a zona do euro pode entrar em colapso antes de os políticos chegarem a uma solução. "Os mercados financeiros continuam a se mover mais rapidamente do que os políticos", acrescentou.

Ao mesmo tempo, o rebaixamento da classificação do crédito da Bélgica, de Portugal e da Hungria prejudicaram ainda mais a confiança dos investidores na união monetária. Ainda, Mohi-udin disse que outra explicação para a elevação do yield dos bunds deve ser a de que os mercados estão pessimistas em relação a posição fiscal da Alemanha se o país adotar uma união fiscal mais próxima de seu parceiros europeus de economias mais fracas.

"Se (uma união mais próxima) envolver transferências fiscais para dar sustentação à área da moeda única, então a posição fiscal da Alemanha irá se deteriorar", disse.

O UBS junta-se a outros grandes bancos que nas últimas semanas têm alertado para o risco de a união monetária se romper. O Barclays Capital divulgou nesta semana pesquisa mostrando que quase metade de seus 1 mil clientes esperam que pelo menos um país da zona do euro abandone a união monetária em 2012, o dobro do número de investidores que faziam a mesma previsão em setembro. As informações são da Dow Jones.

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