Mercados já não esperam recuperação argentina

No mercado, consolida-se a percepção de que o governo argentino não conseguirá manter a atual política econômica por muito mais tempo. A insolvência, anunciada repetidamente há meses não é iminente, mas é pouco provável que o país consiga evitá-la. O nervosismo no mercado brasileiro nos últimos dias, que deve continuar na próxima semana, reflete o temor de que venha um pacotaço logo após as eleições legislativas, marcadas para o dia 14.A maioria dos analistas prevê uma derrota do governo, e o sentimento popular é de desilusão. A Argentina está no seu quarto ano de recessão profunda, com desemprego beirando os 20% e sem perspectivas de recuperação no curto prazo. E as estratégias de retomada do crescimento no longo prazo enfrentam problemas.As fortes quedas na arrecadação, que devem prosseguir por mais alguns meses, segundo analistas, exigem a adoção de ainda mais ajustes fiscais para a realização do plano de eliminação imediata do déficit público. Mas a resistência popular e de uma oposição provavelmente fortalecida daqui a dez dias sugerem dificuldades.Além disso, as várias esferas de governo vêm adiando obrigações nos últimos meses, que deverão ser honrados no futuro, em alguns casos, já no ano que vem. Adiantamentos de impostos, atrasos nos pagamentos do funcionalismo e repasses de verbas e emissão de patacones são apenas alguns exemplos. Os próprios governadores das províncias - muitos também em estado de insolvência iminente - entraram com ação na Justiça contra a União pelo atraso no repasse de verbas acordados no pacto fiscal. Ainda há a dívida pública, que cresce a juros elevadíssimos. No fechamento dos negócios ontem, o risco país da Argentina bateu novo recorde, chegando aos 1864 pontos (leia mais a respeito no link abaixo). Os mercados no Brasil sofrem com a crise no país vizinho, mas analistas acreditam que, apesar da vulnerabilidade das contas externas brasileiras e da força do choque inicial, o mais provável é uma recuperação em 2002, especialmente se a economia dos EUA começar a reagir, como se espera, no segundo semestre.Soluções para Argentina são improváveisPara a Argentina, as chances são cada vez menores e se restringem a uma retomada econômica em alguns meses se o déficit zero funcionar, ou seja, se houver mais cortes. Ainda pode haver uma renegociação da dívida - por enquanto parada por conta dos atentados terroristas aos Estados Unidos, ou mais um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).O mercado realmente espera que em algum momento, possivelmente até no dia 15 um pacote envolvendo um ou mais das seguintes medidas: novo ajuste fiscal, desvalorização cambial seguida de dolarização, calote da dívida e substituição do ministro da Economia, Domingo Cavallo. Com essa perspectiva, não se pode esperar muito otimismo dos investidores na próxima semana.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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