Mercados mais calmos com Argentina

A confirmação de que Domingo Cavallo será o novo condutor da política econômica na Argentina acalmou, pelo menos momentaneamente, os negócios no mercado financeiro. A notícia, porém, não é suficiente para afastar de vez as preocupações com a Argentina. Isso porque os investidores ainda aguardam pelas novas medidas para corte de gastos e retomada do crescimento econômico. A rapidez, a eficiência e o apoio político às medidas são o que, de fato, interessam aos investidores agora. A troca de ministros na Argentina, aliada a um novo leilão de títulos cambiais promovido pelo Banco Central (BC) no final da manhã, derrubou as cotações do dólar. Há pouco o dólar comercial estava cotado a R$ 2,0890 na ponta de venda dos negócios - queda de 1,14% em relação aos últimos negócios de ontem. As taxas de juros também recuaram. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 17,900% ao ano, frente a 18,120% ao ano registrados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 0,86%.Em relação ao cenário internacional, as atenções também estão voltadas para a decisão do banco central dos Estados Unidos (FED), que reavalia hoje a taxa de juros em 5,5% ao ano. A expectativa é por um corte dos juros entre 0,5 e 0,75 ponto porcentual. As bolsas do país operam em leve alta. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - registra alta de 0,40%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - está em alta de 0,37%.Notícias internasInternamente, há duas más notícias, que aparecem neste momento em segundo plano. Uma delas é a revisão da previsão da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para a inflação de março de 0,20% para 0,40%. Hoje, a Fipe divulgou a segunda prévia da inflação do mês, que ficou em 0,37%.Outra questão desconfortável é o afundamento da plataforma P-36 da Petrobras, que é avaliada em US$ 500 milhões. Vale lembrar que a plataforma era responsável por 7% da produção de petróleo e a sua paralização deve ter forte impacto negativo no saldo da balança comercial, que já se encontra deficitário - exportações menores que importações - em US$ 689 milhões. Em 2000, a balança registrou um saldo negativo de US$ 705 milhões no acumulado do ano.Hoje o Comitê de Política Monetária (Copom) inicia sua reunião mensal de reavaliação da taxa básica de juros - Selic - que está em 15,25% ao ano. Alguns analistas chegam a afirmar que pode haver uma alta da taxa ou a colocação de um viés de alta, o que abre a possibilidade de o BC elevar a taxa antes de sua próxima reunião. Mas, caso isso se confirme, a reação do mercado pode ser muito negativa.

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