Mercados mais calmos mas ainda cautelosos

Essa semana, os investidores recobraram a calma e as cotações têm se recuperado, mesmo que os níveis do início da semana passada não tenham sido atingidos. A cautela continua, pois houve uma melhora no cenário, mas o risco de uma volta nas turbulências ainda existe. As atenções estão voltadas para três fatores principais: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, as dificuldades econômicas da Argentina e a desaceleração da economia norte-americana.A crise política interna agravou-se na medida enquanto o noticiário internacional melhorou. Governo e oposição - aliada a alguns dissidentes liderados pelo Senador Antonio Carlos Magalhães - estão disputando congressistas na disputa pela instalação de uma CPI para investigar denúncias de corrupção no Executivo federal. A equipe econômica argumenta que a Comissão paralisaria as votações no Congresso, e como em 2002 ocorrem as eleições estaduais e federais, o que esvazia Brasília, essa será a última chance nesse governo de aprovar reformas importantes. O contra-ataque à oposição tem se dado por meio de votações de Medidas Provisórias importantes. Enquanto continua o conflito, os investidores mantêm-se cautelosos e se a CPI for aprovada, pode haver muita instabilidade à frente.Cavallo agrada os mercadosAs boas notícias vêm da Argentina. Embora a situação econômica do país seja muito delicada, a credibilidade e o empenho do novo ministro da Economia, Domingo Cavallo, tem sido animadora para os mercados. O pacote de medidas de estímulo econômico, a chamada Lei da Competitividade, ainda está em votação no Congresso. Mesmo com a perspectiva de limitação dos poderes especiais concedidos ao ministro pela Câmara, os itens de caráter puramente econômico devem ser aprovados. A reação dos mercados continua melhorando, embora não se possa fechar os olhos aos desafios que Cavallo tem à frente. Ontem ele discursou na televisão, prometendo uma reforma simplificadora do sistema tributário, anunciou sua equipe econômica e declarou que o governo não voltará a leiloar títulos até que os juros baixem. Enquanto isso, necessidades financeiras adicionais serão cobertas com o novo Imposto sobre Transações Financeiras, semelhante à CPMF brasileira.EUA podem estar retomando crescimentoOntem também foi anunciado o Índice de Confiança do Consumidor (CCI) e o relatório de vendas no varejo, ambos registrando crescimento surpreendente. Se as boas notícias forem causadas por uma reversão na tendência de desaceleração da economia - o que só pode ser comprovado pela observação de vários indicadores ao longo de um período de tempo maior -, os resultados decepcionantes das empresas podem melhorar. Com isso, o valor de suas ações subiria, reanimando os mercados mundiais, inclusive os brasileiros.Atenção a IPC e IPCA-15 hojeNa sua última reunião mensal, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela elevação da Selic - a taxa básica referencial de juros -, de 15,25% para os atuais 15,75% ao ano. A justificativa para tal ajuste foi a pressão inflacionária gerada pela elevação acima do previsto do dólar. Assim, os investidores estarão atentos aos próximos índices de inflação, para avaliar as possibilidades de retomada da política de redução dos juros. Hoje foi divulgado a terceira prévia do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) relativo ao mês de março. O Índice ficou em 0,45%, sendo que os analistas ouvidos pela Agência Estado esperavam um resultado abaixo de 0,40%. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) também anunciará o Índice de Preços do Consumidor Ampliado-15 (IPCA-15), prévia que calcula a inflação das últimas quatro semanas. Espera-se que o indicador fique abaixo de 0,50%.

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