Mercados mais calmos, mas ainda pessimistas

Os dois primeiros dias da semana foram relativamente tranqüilos nos mercados financeiros. As bolsas no exterior recuperaram-se, ainda que não totalmente, das violentas quedas da semana passada e os governos têm intervindo nos momentos de maior tensão e garantem a calma dos investidores. Os nove leilões de títulos cambiais dos últimos três pregões contiveram a alta do dólar e acalmaram um pouco os humores.Porém, o cenário ainda traz muitas incertezas e os investidores permanecem muito cautelosos. A guerra contra o terrorismo está sendo deflagrada em várias frentes, com mais bom senso e menos paixão do que se esperava. E, afinal de contas, o único governo a contrariar as determinações dos Estados Unidos é o regime Taleban do Afeganistão, cuja oposição está disposta a poupar os norte-americanos de batalhas terrestres. O apoio inclui até aliados improváveis, como Vaticano, Irã e Paquistão, afastando o risco de uma guerra total ou em áreas mais estratégicas, ao menos por ora.Mas ainda há o risco de recessão nos EUA. A confiança do consumidor atingiu o índice mais baixo desde a Guerra do Golfo, em 1991. É verdade que o dado refere-se à semana dos ataques terroristas, mas é difícil que a redução verificada no consumo, responsável por dois terços dos gastos na economia, e os próprios danos materiais da destruição, especialmente em Nova York, seja revertida. O que se espera é que a guerra não tenha conseqüências indesejadas e a retomada econômica seja rápida. Analistas afirmam que um fator preponderante para uma saída acelerada da recessão será a popularidade do Presidente George W. Bush. E mesmo os seus opositores reconhecem a habilidade com que o governo está conduzindo a situação e a satisfação popular até o momento. Mas a guerra ainda nem começou, e pode trazer muitos imprevistos.Para países emergentes, a fuga de investimentos é certa. O risco aumentou, especialmente para aqueles com buracos maiores nas contas externas, como Turquia, Argentina e Brasil. Como uma aceleração das exportações é improvável no curto prazo, as dificuldades não serão poucas. Aqui, observa-se forte desvalorização cambial, mas mesmo assim, as vendas para o exterior dependem de outros fatores e demoram a reagir. Ou seja, com muitas incertezas e grandes desafios pela frente, a cautela continua sendo a melhor estratégia.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

26 de setembro de 2001 | 08h12

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