Mercados mais estáveis mas ainda cautelosos

Os mercados financeiros ontem operaram sem o pânico da semana passada, registrando uma recuperação significativa nas cotações, que, ainda assim, permanecem muito mais pessimistas do que há poucas semanas. O momento ainda é de muita cautela, e novas turbulências podem aparecer a qualquer momento. Mesmo assim, a Câmara argentina aprovou o pacote do novo ministro da Economia, Domingo Cavallo, praticamente na íntegra, incluindo concessões especiais de poderes a ele. Agora é a vez do Senado transformar essas medidas em lei. A agilidade do Congresso e a habilidade política do ministro agradaram os investidores. A interpretação do mercado é que ao menos agora existe um plano, ainda que seja cedo para se conhecer o seu resultado. Um teste importante ocorrerá hoje, quando o governo argentino realizará um leilão de títulos públicos. As taxas de juros praticadas darão uma medida da confiança no pacote.Os Estados Unidos também atrairão as atenções dos investidores hoje. Além dos dados sobre as vendas no varejo, será divulgado o Índice de Confiança do Consumidor. Esse indicador é importante, pois os desânimo recente dos consumidores norte-americanos está preocupando analistas e governo. Sem uma reversão da percepção do público sobre a economia, pode ser difícil reverter a forte desaceleração da economia dos EUA. Além disso, o presidente do Fed - Banco Central dos Estados Unidos -, Alan Greenspan, discursará às 10h45. Como a última redução dos juros na semana passada foi considerada excessivamente modesta e muitos esperam novo corte em reunião extraordinária, os investidores esperam encontrar indícios de ação na sua fala. CPI pode piorar o humor dos mercadosPor fim, vale lembrar que as notícias da Argentina e dos EUA ofuscaram os problemas internos na semana passada, mas eles continuam. O Senador Antonio Carlos Magalhães e a oposição estão em busca de assinaturas no Congresso pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de corrupção. O governo e os mercados temem que tais investigações paralisem o Congresso no último ano de plena governabilidade, já que 2002 será ano eleitoral. O contra-ataque está ocorrendo por meio da mobilização da base aliada na votação da Lei das S.As., o que agrada aos mercados. Se a CPI for instaurada, porém, seus resultados podem afetar ainda mais o humor dos mercados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.