Mercados mantêm equilíbrio atentos à Argentina

O mercado financeiro amanheceu diante de um cenário ainda pior na Argentina. O país está em estado de sítio e Domingo Cavallo renunciou ao cargo de ministro da Economia. A crise social no país agrava-se a cada dia, principalmente depois da imposição de um limite máximo para saques bancários em US$ 1 mil, o que provocou um forte movimento de saques e manifestações populares. No balanço de ontem, pelo menos sete pessoas morreram; 138 ficaram feridas, sendo 76 policiais; e foram registradas 551 prisões. O presidente Fernando De la Rúa deve se reunir nesta manhã com os governadores, representantes de todos os partidos, a cúpula da bancada no Congresso e líderes políticos. O partido Justicialista, de oposição, vai defender o afastamento de De la Rúa e a convocação de novas eleições presidenciais. Já o partido do governo defende o fim do modelo econômico que institui a paridade cambial. No Brasil, os mercados permanecem tranqüilos. O dólar comercial abriu em alta de 1,94% em relação aos últimos negócios de ontem, sendo cotado a R$ 2,3450 na ponta de venda dos negócios. Mas a cotação da moeda norte-americana já reduziu a alta e às 10h50 era vendida a R$ 2,3150, em alta de 0,65%. No mercado de juros, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 20,150% ao ano, frente a 19,860% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com queda de 0,81%. A expectativa dos analistas é de que o mercado financeiro no Brasil apresente alguma instabilidade nos próximos dias, dependendo dos próximos acontecimentos na Argentina. Porém, este efeito deve ser limitado, já que grande parte desta crise já foi antecipada pelos investidores. Para este cenário de maior tranqüilidade, contribui a posição do Fundo Monetário Internacional (FMI) de respaldo ao Brasil para que o País fique libre do contágio argentino. Selic ficou estável em 19% ao ano A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) pela manutenção da Selic - a taxa básica de juros da economia - em 19% ao ano não surpreendeu os analistas. Na última reunião do ano, a nota divulgada afirmou que "houve melhora nas condições da economia. No entanto, diante de um quadro externo ainda incerto, o Copom decidiu manter a meta da taxa Selic em 19% ao ano, sem viés". A nota do Copom não menciona a questão da inflação, mas o Banco Central (BC) tem sido taxativo ao afirmar que a política monetária será baseada no controle das metas de inflação, as quais podem ser influenciadas por um câmbio pressionado devido às incertezas externas. E como elas existem, principalmente em relação ao cenário argentino, a manutenção dos juros sinalizou a postura de cautela por parte do BC. Investimentos Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

20 Dezembro 2001 | 11h14

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