Mercados mantêm incertezas

Muito esperado pelos analistas, o índice de confiança do consumidor norte-americano, de setembro, ficou em 97,6. Trata-se da maior queda desde outubro de 1990. Na pesquisa anterior, referente ao mês de agosto, o índice estava em 114,3. O resultado de setembro já embute a visão dos consumidores norte-americanos após os atentados terroristas de 11 de setembro. Uma pesquisa realizada pela Bloomberg revelava que a expectativa dos analistas era de um resultado em 106,50.O cenário para a economia norte-americana é um dos principais focos de incertezas neste momento. Com a proximidade de conflitos militares contra grupos terroristas como retaliação aos ataques, a economia dos EUA poderá passar por um desaquecimento ainda mais forte, com risco, inclusive, de recessão. Quanto mais profundos e duradouros, maior o impacto negativo sobre a atividade econômica. O índice de confiança do consumidor é um importante sinal dentro deste contexto, já que o consumo do país é responsável por dois terços da economia norte-americana. O ritmo da atividade econômica nos EUA afeta de maneira significativa a economia mundial, pois o país importa aproximadamente 70% de toda a produção mundial. Isso significa que, se o norte-americano reduz seu consumo, o impacto será visto na economia de todos os países.Às incertezas em relação aos conflitos militares, une-se as fortes quedas das bolsas de Nova York. Este cenário prejudica ainda mais o consumo do país, já que aproximadamente 60% da poupança dos investidores norte-americanos está alocada no mercado de ações. Ou seja, há um sentimento de "empobrecimento" dos norte-americanos, que tendem a reduzir ainda mais o consumo. Hoje, as bolsas em Nova York voltaram a operar em queda, após um dia de recuperação ontem (veja mais informações no link abaixo). Às 11h05, o índice Dow Jones - que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - reverteu um pouco a tendência e operava com alta de 0,67% e a Nasdaq - bolsa que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet - registrava alta de 1,38%.Comissão de exportaçõesA forte dependência brasileira de capital estrangeiro faz com que o cenário de desaquecimento econômico mundial pese de maneira ainda mais forte sobre as perspectivas para a economia brasileira. Ontem, em uma reunião com a equipe econômica, o presidente Fernando Henrique Cardoso estabeleceu a criação da Comissão Executiva de Comércio Exterior, que terá poderes superiores aos dos ministros de Estado. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, ganhou superpoderes para acelerar as exportações. Trata-se de uma medida do governo para criar condições excepcionais de estímulo às exportações do País, com o objetivo de reduzir a dependência de capital estrangeiro. Porém, em um cenário de desaquecimento mais forte da economia norte-americana, a criação desta Comissão e de medidas de estímulo à exportação podem não ser suficientes para melhorar o saldo da balança comercial do país. Hoje, às 12h (horário de Brasília), o ministro Sérgio Amaral fará um pronunciamento para fornecer mais detalhes sobre a recém-criada Comissão.MercadosO dólar comercial para venda está cotado a R$ 2,7340 na ponta de venda dos negócios, com alta de 0,51%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com alta de 0,57%. No início desta manhã, segundo apurou o editor Márcio Anaya, a Bovespa divulgou o balanço dos investimentos estrangeiros. O resultado revelou uma saída de R$ 67,771 milhões em setembro, até o dia 20. Com o resultado, o saldo acumulado no ano, até o pregão do dia 20 de setembro, apontava superávit de R$ 1,229 bilhão.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.