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Mercados mantêm preocupação com Argentina

A forte queda na arrecadação de impostos no mês de setembro reacendeu as preocupações acerca da crise argentina. A Bolsa de Valores de Buenos Aires teve a maior queda dos últimos dez anos e o risco país bateu mais um recorde, chegando a 1755 pontos base (ver link abaixo). Depois do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), os mercados passaram a operar com mais tranqüilidade e os US$ 8 bilhões negociados deveriam permitir que as medidas do governo surtissem efeito.Mas os ataques terroristas aos Estados Unidos pouco depois da assinatura do acordo agravaram muito o cenário internacional, dificultando a implementação do plano de eliminação imediata do déficit público e a renegociação da dívida externa para permitir a retomada do crescimento econômico. Em setembro, a arrecadação de impostos caiu 14% em relação ao mesmo período do ano passado e o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), sofreu queda de 31%.Com isso, muitos já duvidam que, apesar dos cortes draconianos, o déficit zero seja atingível. Até o dia 14, quando se realizam as eleições legislativas, o governo deve tentar manter os mercados tranqüilos e evitar ações impopulares. Mas muitos prevêem que medidas drásticas possam ser tomadas no dia seguinte.A previsão é de que a oposição vença as eleições com grande margem, reduzindo muito a base de apoio do governo no Congresso. A partir daí, incertezas. O povo está cansado depois de mais de três anos de recessão e desemprego próximo dos 20%, tendo aceitado medidas muito impopulares. E, de qualquer forma, o legislativo ficará bem mais hostil ao presidente Fernando de la Rúa e sua equipe. Tentando contornar as dificuldades que enfrentou ao longo do ano, o governo federal adiou para o ano que vem muitas despesas na expectativa de recuperação. Mas se a necessidade de ajustes urgentes cresce, a resistência é cada vez mais feroz. Rumores da saída do ministro da Economia, Domingo Cavallo, calote da dívida e fim da conversibilidade voltaram a circular ontem. Enquanto setores mais amplos da oposição - em campanha eleitoral - pediam a saída de Cavallo, líderes da Central Geral dos Trabalhadores (CGT) pediam desvalorização cambial, até agora, um tabu para todos. Quase toda a dívida do governo, e 60% da dívida global do país estão denominadas em dólares e crescendo a taxas de juros assombrosas. Havendo desvalorização, as conseqüências seriam muito graves.Brasil enfrenta crise em momento vulnerávelOs mercados brasileiros temem pelos efeitos da crise argentina. Muitos analistas torciam para que a ruptura traumática no país vizinho - considerada inevitável - ocorresse quanto antes. Especialmente depois da assinatura do acordo preventivo com o FMI que liberou US$ 15 bilhões para o País em agosto. Achava-se que a quantia fosse suficiente para evitar o contágio de um agravamento da situação na Argentina. Mas os ataques terroristas aos Estados Unidos agravaram os desequilíbrios nas contas externas do Brasil, já que os fluxos de capital estrangeiro estão sofrendo redução brusca, pressionando o câmbio e deixando o País mais vulnerável a crises externas.Os boatos de ontem também incluíam novos acordos com o FMI para permitir que a situação seja administrada com mais folga em 2002, tanto para o Brasil como para a Argentina, embora a tolerância com o governo vizinho seja bem menor. De qualquer forma, espera-se uma postura mais maleável do governo norte-americano e de organismos internacionais depois dos acontecimentos de 11 de setembro.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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