Mercados: melhora no rating veio tarde

Hoje a agência de classificação de risco Moody´s divulgou a elevação do rating, uma avaliação de risco do Brasil. A notícia, que vinha sendo esperada há meses pelo mercado, teve um impacto pontual na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que fechou em queda de 0,94%. Porém, o mercado já trabalhava com um novo padrão de avaliação dos títulos brasileiros, antecipando-se à decisão, e a avaliação da Moody´s apresentava uma defasagem em relação à Standard and Poor´s (S&P´s), que já avaliava o País nos mesmos níveis divulgados hoje. Uma melhora no rating da S&P´s, ou uma elevação mais expressiva pela Moody´s, sim, poderiam dar novo fôlego ao mercado. Além disso, apesar do cenário interno continuar positivo, a pressão externa é pessimista. Iniciou-se hoje a reunião entre o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, no balneário egípcio de Sharm-el-Sheikh. O encontro está sendo mediado pelos presidentes dos Estados Unidos, Bill Clinton, e do Egito, Hosni Mubarak, e pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan. O objetivo do encontro é conseguir uma suspensão dos conflitos entre manifestantes árabes e as Forças Armadas de Israel. Até agora, não foi divulgado nenhum acordo e analistas reagem com ceticismo em relação à reunião de cúpula e, principalmente, em relação ao processo de paz no Oriente Médio. Com o risco de que outros países produtores de petróleo da região envolvam-se nos conflitos, o mercado tem reagido mal. De qualquer forma, a reunião iniciada hoje acalmou um pouco os investidores. Os negócios com o petróleo bruto do tipo Brent para entrega em novembro fecharam em queda de 0,62% em Londres, a US$ 31,90 por barril.Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 17,110% ao ano, frente a 17,170% ao ano ontem. E o dólar fechou em R$ 1,8660, com queda de 0,32%.As bolsas norte-americanas reagiram principalmente à divulgação de balanços de empresas do país. Com a desaceleração da economia dos EUA e a baixa do euro, que diminui as exportações para a Europa, as empresas sofreram, de maneira geral, queda no faturamento e nos lucros. O Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,46%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 0,80%.

Agencia Estado,

16 de outubro de 2000 | 19h19

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