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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados melhoram com Fitch e inflação

Apesar do clima de expectativa para a reunião do Federal Reserve (FED), as bolsas subiram nesta quarta-feira em Nova York e ajudaram os mercados domésticos a terem um dia positivo. A elevação do rating brasileiro pela agência Fitch também colaborou para a queda do dólar e do risco Brasil, além da alta da Bovespa. Os juros recuaram nos contratos de DI, ainda influenciados pelo relatório de inflação que mostrou que a tendência da Selic é de quedaO dia "D" para os mercados acontecerá nesta quinta-feira, quando o Fed deverá anunciar uma elevação de 0,25 ponto porcentual para a taxa de juros dos Fed Funds. Mas as incertezas poderão continuar nos mercados se o comunicado do Banco Central dos EUA sinalizar que há espaço para mais aperto monetário.BolsaDepois das quedas verificadas na terça-feira nas bolsas em Wall Street e São Paulo, hoje foi um dia de valorização nesses mercados. A Bovespa reagiu positivamente a Nova York e também a duas notícias relativas à economia brasileira: o upgrade dado pela Fitch à dívida do Brasil e o relatório de inflação do Banco Central, que manteve as expectativas de corte da Selic na próxima reunião do Copom.O Índice Bovespa fechou em alta de 1,33%, com 34.834 pontos. Operou entre a máxima de 34.837 pontos (+1,34%) e a mínima de 34.349 pontos (-0,08%). Com esse resultado, a bolsa passou a acumular baixa de 4,64% em junho e alta de 4,12% em 2006. O movimento financeiro ficou em R$ 2,884 bilhão, sendo que R$ 1,193 bilhão corresponderam ao leilão da Cteep.As atenções do mercado continuam voltadas para a reunião do Federal Reserve que começou hoje e terminará amanhã, quando será anunciada a decisão sobre os juros norte-americanos. É praticamente consenso entre os analistas que a taxa dos Fed Funds subirá dos atuais 5% para 5,25%. As dúvidas que atormentam as mesas de operações estão na possibilidade de o Fed continuar subindo os juros nas próximas reuniões e o teor do comunicado que também será conhecido nesta quinta-feira.Na véspera do anúncio do Fed, no entanto, as bolsas tiveram um dia positivo. Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,45%, o Nasdaq avançou 0,55% e o S&P 500 também fechou em alta de 0,55%. O risco Brasil, por sua vez, despencou hoje. Pouco antes das 18 horas, o risco caía 12 pontos para 257 pontos base.JurosAs taxas de juros futuros tiveram um dia de queda, graças ao alívio verificado no mercado externo e ao relatório de inflação, considerado positivo. O volume de negócios continua bastante estreito, mas, na opinião de operadores, é possível vislumbrar uma melhora lenta no humor do mercado. "Ainda há volatilidade, mas parece que a intensidade dessa oscilação está diminuindo", arrisca um operador.A melhora do cenário externo - na véspera da decisão sobre o rumo da taxa de juros norte-americana - foi, sem dúvida, o principal motivador da queda das taxas dos Dis. Mas, na opinião de operadores, o relatório de inflação foi um ingrediente importante na configuração do cenário de alívio. "O relatório abriu uma janela para um corte da taxa Selic de 0,5 ponto na próxima reunião e de mais 0,25 ponto na seguinte", diz um operador. Esse profissional destaca, no relatório, o fato de o BC ter mostrado que o câmbio teve um baixo impacto sobre a inflação e sobre as expectativas de mercado para a inflação, que praticamente se mantiveram após a turbulência externa. "O câmbio subiu mas não provocou um estrago nas projeções e isso é positivo", diz um operador.O economista do HSBC, Luís Fernando Cezário, concorda com a avaliação de que o relatório de inflação abre espaço para mais reduções da taxa Selic. E acrescenta que o BC pode, inclusive, ser surpreendido pela inflação corrente. "No Relatório, vemos que a projeção para a inflação no segundo trimestre está em 0,55% e, na realidade, deve ficar em torno de 0,20%", disse. De acordo com o economista, este pode ser mais um ponto positivo para a inflação do próximo ano, que deve receber uma influência menor da inércia dos preços.Os contratos de juros de médio e longo prazo, no entanto, continuarão muito atrelados ao movimento do cenário externo. E, por isso, a reunião do Fomc da quinta-feira deve limitar a recuperação do mercado. Tanto é que, no pregão eletrônico, os juros já mostraram alguma pressão. Operadores destacam, no entanto, que a expectativa é que, além da alta de 0,25 ponto percentual no juro norte-americano, o Fomc traga um statement conservador. "Como isso já está no preço, talvez o mercado não mostre uma reação forte após o comunicado", diz um operador.Até lá, o mercado deve manter-se cauteloso. E vale lembrar que amanhã haverá leilão de títulos prefixados (confirmado há pouco pelo secretário do Tesouro, Carlos Kawall), cuja portaria ainda não foi divulgada.CâmbioO dólar pronto retomou a queda nesta quarta-feira para fechar cotado a R$ 2,220 na roda da BM&F (-0,76%) e no balcão (-0,80%). No mês até o momento, o pronto acumula ante o real queda de 4,39% na BM&F e de -4,43% no balcão. No ano, a queda apurada no balcão é de 4,52%. As cotações oscilaram em baixa o dia todo influenciadas pela alta das Bolsas em NY e SP, a elevação dos ratings soberanos do Brasil pela Fitch Ratings e o recuo forte das taxas de risco da Turquia, do Brasil e dos países emergentes em geral.

Agencia Estado,

28 de junho de 2006 | 20h30

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