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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados menos tensos, mas com cautela

A poeira do cenário político baixou e o mercado financeiro parece voltar a olhar para os fundamentos. Ontem, a primeira reação do mercado diante das denúncias contra o ex-diretor do Banco do Brasil e ex-tesoureiro do candidato do PSDB, José Serra, foi de nervosismo. Mas, ao longo do dia, os ânimos foram esfriando. Apesar do clima mais calmo na abertura hoje, o mercado segue apreensivo com o cenário político, embora sem a mesma tensão de ontem. Há pouco, o dólar comercial estava sendo cotado a R$ 2,4200, em queda de 0,04% em relação ao fechamento de ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 0,35%. O fato de o presidente Fernando Henrique estar se mobilizando para as que denúncias não tenham efeito sobre a base aliada, ajudando a impedir uma CPI, ajuda reduzir o nervosismo, embora o mercado entenda que o impacto eleitoral das denúncias deva ser negativo para o candidato José Serra. Se novas pesquisas mostrarem maior crescimento nas intenções de voto para o candidato do PT, Lula, os negócios devem voltar a sentir. Porém, as pressões para o surgimento de um novo candidato do governo também deverão crescer, o que, para alguns setores do mercado, poderia ser uma boa notícia caso a base governista seja reaglutinada. Além disso, o mercado voltou os olhos para a inflação e percebeu que, tecnicamente, não há razão para que os juros operem em patamares tão elevados. Ontem, o contrato de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, o mais negociado, chegou à máxima de 19,33% ao ano, taxa muito alta considerando que a Selic está definida em 18,50% e não há razão que justifique sua elevação. Há pouco, ele estava sendo negociado a 19,030% ao ano.O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe divulgado ontem, de 0,66% no mês de abril, foi uma indicação de que a inflação já não justifica a manutenção da Selic nesse nível por muito tempo. O índice mostrou que, ao contrário do que afirmava a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), os preços livres estão sob controle, alguns até em queda. Além disso, o preço do petróleo vem em queda (recuou quase 8% na última semana) e, no mínimo, compensou a recente alta do dólar nos cálculos do preço da gasolina.

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