Mercados muito pessimistas com Argentina

Depois do fiasco da viagem secreta aos Estados Unidos e do desastre da reunião de ontem com os governadores das províncias, interrompida aos gritos, a base aliada que compõe o governo lançou documento questionando a governabilidade do país. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, falou em entrevista coletiva há pouco, despertando comentários sobre a sua saída, a renúncia do presidente Fernando de la Rúa e ruptura traumática do atual modelo econômico. Os mercados brasileiros mantiveram o sangue frio.Nunca a situação de Cavallo pareceu tão complicada. Ele pretende impor seus termos às províncias, ameaçando-as de recorrer à Justiça para garanti-los, o que pode ter resultados imprevisíveis. Ele quer um corte de 13% nos repasses da União e oferece renegociação das dívidas a taxas mais baixas - de 7% em 2001 e 10% em 2002 -, mas capitalizando a diferença. Cavallo ofereceu o acordo a quem quiser assiná-lo, ou deixou os governadores livres para realizarem individualmente as negociações de suas dívidas. Culpou as províncias e o Brasil pelas dificuldades do país e saiu isolado do episódio. Ao final da entrevista, disse que definirá os últimos detalhes do pacote com De la Rúa hoje e negou-se a divulgar detalhes sobre a viagem secreta aos Estados Unidos.No final do dia, o risco país da Argentina estava em 1820 pontos (veja mais a respeito no link abaixo). E um deputado peronista (principal partido de oposição) propôs projeto de lei regulamentando a substituição do presidente no caso de renúncia, pois não há vice e a legislação prevê um mecanismo muito complexo e demorado de substituição. O também peronista governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, exortou o presidente a governar ou sair.Analistas ouvidos pela Agência Estado avaliam que a instabilidade política fez crescer muito a possibilidade de ruptura do atual modelo econômico de forma abrupta e desordenada, com conseqüências dramáticas para o país. Os mercados brasileiros mantiveram a calma. Em parte, como efeito do leilão de títulos cambiais da manhã. Mas as cotações já refletem um cenário muito negativo, sendo que os investidores têm se mantido cautelosos há meses devido às dificuldades argentinas. Na próxima semana, os investidores observarão com atenção a evolução da crise política e das variações nas reservas internacionais e depósitos bancários.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,7270, com alta de 0,44%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 22,430% ao ano, frente a 22,770% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,49%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em queda de 2,88%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,87%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 0,37%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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