Mercados muito tensos com Copom hoje

Após o fechamento dos mercados será divulgado o resultado da reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) que se encerra hoje. O mercado aguarda a decisão a respeito da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, atualmente em 15,75% ao ano. As apostas no mercado de juros futuros indicam claramente um aumento da taxa, mas as opiniões dos analistas ouvidos pela Agência Estado são muito divergentes. Os mais otimistas admitem que o Copom possa fazer uma opção estratégica, mantendo a taxa no nível atual ou promovendo uma pequena elevação, o que seria uma tentativa de tranqüilizar os mercados, atualmente num grau de tensão extremo. A maioria crê numa alta de 0,5 ponto porcentual, o que elevaria a Selic para 16,25% ao ano, mas alguns ainda chegam a cogitar até uma variação para cima de um ponto porcentual.A tendência de alta dos preços, contaminada pela alta do dólar, que ainda deve elevar a inflação no decorrer do ano, eram inicialmente as principais razões para a alta da Selic. Mas a enorme instabilidade internacional e a crise política no Senado pioraram o quadro.CPI e violação do painel preocupamOs fatos divulgados ontem envolvendo o Senado Federal agravaram ainda mais o clima - já extremamente tenso - dos negócios. A possibilidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar suspeitas de corrupção no Executivo federal, já que o número mínimo de assinaturas para a abertura do processo foi atingido, preocupa. Na melhor das hipóteses, o governo passa a uma posição defensiva, com os trabalhos da Comissão inflamando o noticiário ocasionalmente. O fato é que a combinação de instabilidade econômica e governo acuado com risco de desestabilização constante pode ser desastrosa para os mercados.Nesse sentido, a confissão de dois funcionários do Senado e o laudo da Universidade de Campinas (Unicamp) de que o painel que computou a votação secreta na sessão de cassação do ex-Senador Luís Estevão foi violado é grave. O Senador Antônio Carlos Magalhães, então presidente da casa, negou que tenha orientado o processo ilegal de conhecimento dos votos de cada membro do Senado através da manipulação do sistema eletrônico (a violação não alterou os votos). Mas, tanto a criação da CPI como a investigação são capítulos da guerra travada entre o então presidente do Senado e o atual, Senador Jader Barbalho, ambos membros da base governista no Congresso. A crise nos altos escalões do Legislativo respinga no Planalto e preocupa os investidores.Argentina mantém mercados em alertaA notícia de que será criada uma cesta de moedas para definir a variação cambial do peso argentino, composta em 50% pelo dólar e 50% pelo euro, não convenceu os investidores, que reagiram com pessimismo. A medida só terá efeito quando o euro atingir a marca de US$ 1, o que analistas europeus ouvidos pela Agência Estado não esperam que venha a ocorrer antes de 2003. Mesmo assim, a medida não resolve a questão mais emergencial da economia do país, que é a sobrevalorização do câmbio. O peso muito valorizado prejudica a competitividade dos produtos argentinos e prolonga a recessão, que já dura 33 meses. A lei não permite e a sociedade não aceita o fim do peso forte, atualmente fixado em US$ 1,00. Além disso, a maior parte das obrigações externas do país está denominada na moeda norte-americana. Uma desvalorização do peso, portanto, causaria uma quebradeira generalizada, incluindo sério descontrole das contas públicas. De qualquer modo, o mercado reage à inclusão do euro na com muita preocupação, pois avalia que questões emergenciais não estão sendo atacados, talvez porque sejam insolúveis sem fortes traumas, só restando ao governo tentar manobrar a situação politicamente. Assim, os investidores reagem abruptamente às novidades, o que causa muitas oscilações nas cotações. A situação é agravada pela persistente desaceleração da economia norte-americana, com resultados muito piores do que os previstos pelos analistas nos mercados: dólar e juros em níveis estratosféricos e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulando quedas apesar do equilíbrio das contas públicas brasileiras e crescimento econômico.Veja no link abaixo a tabela resumo financeiro, com os principais dados do mercado

Agencia Estado,

18 de abril de 2001 | 08h14

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