Mercados não abandonam clima de cautela

O mercado financeiro no Brasil atravessou o primeiro dia após o feriado de carnaval em clima de tranqüilidade. O fato é que a situação argentina não apresentou a piora que se esperava nos primeiros dias da semana, enquanto os mercados internos estavam fechados. Com isso, o investidor reduziu um pouco o clima de pessimismo, mas não abandonou o clima de cautela, já que a situação do país vizinho continua muito crítica. Sem o apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro da Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, retorna de sua viagem a Washington com a intenção de reduzir despesas e apresentar um orçamento enxuto para este ano. Tomando por base a reação da população argentina, pode-se dizer que esta será uma tarefa difícil. Trabalhadores, desempregados, aposentados, populares e sindicalistas argentinos fizeram hoje um grande protesto em frente ao Congresso Nacional contra o orçamento do governo para este ano. Segundo apurou a correspondente Marina Guimarães, foi um ato público contra a manutenção de gastos públicos e de cortes em áreas essenciais como saúde, educação e segurança. A população também protestou contra a pesificação dos depósitos, as restrições aos saques bancários e a falta de assistência médica nos hospitais públicos.Para o diretor-executivo responsável pela Asset Managemento do West LB Banco Europeu, André Reis, a situação argentina é de um país que quebrou. "Ainda não é possível dizer quem vai arcar com as maiores perdas e de quanto serão estas perdas. Portanto, as incertezas continuam e o clima de cautela deve permanecer", afirma. Em relação à atual cotação do dólar em torno de 2 pesos, dentro de um regime cambial com flutuação livre, Reis acredita que não há nenhuma sustentação econômica para o atual patamar. "Não existe um plano econômico estruturado, não existe um orçamento aprovado. Enfim, a qualquer momento as cotações do dólar podem ser pressionadas para cima", afirma.Veja os números do mercado financeiroO dólar comercial teve um dia de queda e fechou cotado a R$ 2,4110 na ponta de venda dos negócios, em baixa de 1,99% em relação aos últimos negócios de ontem. Para o diretor-executivo do West LB Banco Europeu, o recuo das cotação foi resultado de um desmanche de posições hedgeadas feitas na sexta-feira. "Muitos investidores compraram um grande volume de dólares antes do feriado de carnaval, temendo uma desvalorização muito forte do peso argentino. Isso não ocorreu e houve um retorno de dólares ao mercado", explica o executivo.Mas Reis alerta que isso não significa que os investidores abandonaram o clima de cautela. "O presidente argentino Eduardo Duhalde está em uma posição difícil e não tem uma boa sustentação política. As manifestações sociais no país continuam. O orçamento ainda não foi aprovado. Todas estas indefinições sugerem que um momento de instabilidade maior pode acontecer e, com certeza, o mercado cambial no Brasil será influenciado" afirma. As taxas de juros seguiram a queda das cotações do dólar. No fechamento do dia, os contratos de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagaram juros de 18,81% ao ano, frente a 19,14% ao ano ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou a tendência positiva das bolsas de Nova York e encerrou o dia em alta de 2,88%. Nos Estados Unidos, às 18h20 (horário de Brasilia, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - está em alta de 1,12%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - registra alta de 1,15%. Em Buenos Aires, o índice Merval fechou em alta de 2,28% e o dólar foi negociado perto de 2 pesos.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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