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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados: nervosismo aumenta com pesquisa

A divulgação do resultado da pesquisa de intenções de voto realizada pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI) piorou o humor dos investidores nos mercados. O resultado mostrou estabilidade dos candidatos, quando o esperado pelos investidores era uma melhora do pré-candidato do PSDB, José Serra, e uma piora do presidenciável pelo PT, Luís Inácio Lula da Silva. Lula ficou com 38% das intenções de voto, Serra com 19% e Garotinho com 13%. Na pesquisa anterior, Lula detinha 39%. Serra e Garotinho já tinham os mesmos 19% e 13%, respectivamente.Às 12h, o dólar comercial está cotado a R$ 2,7490, em alta de 1,55% em relação aos últimos negócios de ontem. A cotação máxima do dia foi alcançada há pouco, às 11h54, em R$ 2,7520. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu forte e está em 11.249 pontos, uma baixa de 2,10%. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) pagam taxas de 24,200% ao ano, frente a 23,950% ao ano ontem. Os papéis com vencimento em julho de 2003 estão no patamar mais elevado do dia, com uma taxa de 29,300% ao ano, frente a 28,800% ao ano ontem. Dívida do País e cenário político preocupamHoje, a relação entre a dívida do Brasil e o Produto Interno Bruto (PIB) é de 56%, sendo que grande parte dela está atrelada ao dólar e às taxas de juros. Cada vez que esses ativos sobem, também a dívida brasileira fica maior e aumenta o temor por parte dos investidores de que o governo brasileiro não conseguirá honrar seus compromissos. A mudança de presidente agrava essa incerteza, dado que não se sabe qual será a política econômica adotada pelo próximo governo e de que forma a dívida será administrada. O resultado é que o risco dos títulos públicos aumenta e o governo precisa elevar suas taxas para captar dólares. A diferença entre a taxa de juros paga pelo governo brasileiro e a taxa do governo norte-americano amplia-se e a taxa de risco-país fica maior. Após a divulgação do resultado da pesquisa, os C-Bonds, principais títulos da dívida brasileira negociados no exterior, estavam em 61 centavos por dólar. Ontem estavam em 63,500 centavos por dólar.Já o risco-país, que mede a confiança dos investidores em relação à capacidade de pagamento da dívida de um país, chegou a 1.497 pontos às 11h39.O problema é que, sem fatores positivos que diminuam a desconfiança dos investidores, esse movimento transforma-se em um círculo vicioso. Isso porque, com uma taxa de risco mais elevada, os juros no mercado interno permanecem em patamar elevado ou podem subir ainda mais, elevando a dívida do País e impactando novamente no risco brasileiro.

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