Mercados nervosos: cenário político é a questão

Os mercados podem ter mais um dia de nervosismo. Isso porque o principal fator que vem influenciando os investidores atualmente, o encaminhamento das eleições presidenciais, apresenta muitas incertezas. O fato é que, devido a essa falta de certezas sobre qual será o novo governo e qual será a política econômica a ser adotada, os investidores têm demonstrado atitudes mais cautelosas. Os negócios com papéis da dívida pública demonstram essa desconfiança. Isso porque os investidores têm pedido taxas cada vez mais elevadas na compra desses papéis. Também apresentam forte demanda por títulos de prazos mais curtos, na tentativa de reduzir a exposição das carteiras ao risco do novo governo. O resultado desse cenário pode ser percebido em números. O dólar já subiu 7,79% em junho. A alta é expressiva, se levarmos em conta que só se passaram sete dias úteis nesse mês. O impacto também é grande sobre o valor dos títulos públicos. Para se ter uma idéia, em junho, os C-Bonds - principais títulos da dívida brasileira - apresentam uma baixa de 10,67%. Já a taxa de risco-país, que mede a confiança dos investidores em relação à capacidade do País em honrar suas contas, chegou ontem a 1.232 pontos base. Trata-se do nível mais alto desde 18 de outubro do ano passado.O fato é que esse período de instabilidade não tem data para acabar. Os investidores devem estar atentos ao cenário político e econômico, mas devem evitar atitudes precipitadas em períodos de instabilidade maior. A principal recomendação nesse momento para quem tem recursos novos e um horizonte definido de resgate é optar por aplicações com baixo nível de risco, como os fundos referenciados DI (pós-fixados). Apesar de apresentarem oscilação no valor da cota depois da adoção da regra de marcação a mercado pelos gestores, ainda representam o investimento com menor possibilidade de perdas.Inflação e jurosO Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará logo mais o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referente ao mês de maio. O número esperado pelos analistas aponta para uma alta entre 0,25% e 0,30%. O IPCA é usado como referência para a meta inflacionária, a qual define a política de juros do atual governo. Nesse ano, a meta é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Os investidores aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que vai reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia, nos dias 18 e 19 de junho. Segundo analistas, crescem as chances de que o Comitê opte pela manutenção dos juros no patamar atual, de 18,5% ao ano. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

12 de junho de 2002 | 08h04

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