Mercados nervosos com política e vencimentos

O cenário político e o grande volume de vencimentos de dívida cambial - pública e privada - nos próximos dias são os principais motivos para a alta do dólar nos últimos dias, apesar das ações do Banco Central (BC) para conter a escalada das cotações. No cenário político, o aumento da representatividade dos partidos de esquerda, especialmente do PT, no Congresso e o apoio "irrestrito" dado por Ciro Gomes e Leonel Brizola à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, além dos sinais de adesão de Anthony Garotinho, foram mal-recebidos pelos investidores externos, disseram operadores. O reflexo disso foi que o C-Bond, principal título da dívida brasileira, caiu com força. No final da tarde, estava cotado a 48,75 centavos de dólar, uma baixa de 5,45% em relação aos últimos negócios de ontem. Nesse horário, a taxa de risco-país estava em 2.296 pontos base, em alta de 10,23% em relação ao patamar de ontem.Internamente, as cotações do dólar foram sustentadas pelo fluxo financeiro negativo e a oferta restrita de moeda, uma vez que não houve aumento das vendas pelas grandes instituições, como era esperado inicialmente em função da medida do BC, que restringiu a posição dos bancos em câmbio. A demanda de empresas e bancos permaneceu aquecida por causa dos vencimentos da próxima semana de dívidas cambiais pública (US$ 3 bilhões remanescentes) e privada (cerca de US$ 640 milhões). O BC voltou a vender dólares no mercado à vista e também fez um leilão de linha de exportação. A oferta, porém, continuou insuficiente.Veja os números do mercadoHoje o dólar comercial fechou cotado a R$ 3,8750, com uma alta de 3,89% em relação aos últimos negócios de ontem. Durante o dia, o dólar oscilou entre a máxima de R$ 3,8800 e a mínima de R$ 3,8250. Com o resultado de hoje, o dólar acumula uma alta de 3,06% em outubro e de 67,31% no ano. No mercado de juros, as taxas acompanharam a tendência de alta apresentada pelas cotações do dólar. Os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagaram taxas de 20,950% ao ano, frente a 20,860% ao ano negociados ontem. Para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), além da influência negativa da alta do dólar, os negócios foram impactados pela queda das ações nos mercados norte-americanos. O Ibovespa - que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa - encerrou essa quarta-feira em queda de 1,49%, com 8.714 pontos. Entre as ações que compõem o Índice, as três maiores baixas foram as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petróleo Ipiranga (-6,63%), Embraer PN (-5,61%) e as ordinárias (ON, com direito a voto) da Embraer (-4,48%). Já as três maiores altas foram Telefônica Data PN (8,82%), Tele Centro Oeste Celular Participações PN (4,88%) e Vale do Rio Doce PNA (2,36%).Mercados internacionaisEm Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 2,87% e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - encerrou o dia em baixa 1,34%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em queda de 0,75%.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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