Mercados nervosos com proximidade de conflito

Os investidores vêem adotando uma posição defensiva diante de tantas incertezas. Ninguém sabe quanto tempo vai durar e qual a dimensão da reação dos norte-americanos aos ataques terroristas de 11 de setembro e nem se envolverá outros países. A única certeza é que quanto mais tempo durar esse conflito mais a economia vai demorar para reagir.A deterioração de expectativas foi agravada pelo duro pronunciamento de ontem à noite do presidente George W. Bush, entendido pelo mercado como um brado de guerra ao Afeganistão. O maior medo dos analistas é de que o conflito armado se estenda a países produtores de petróleo, como o Iraque, por exemplo, o que tende a elevar a cotação internacional do produto.Além disso, o discurso de Bush reacendeu nos europeus o pavor da guerra pelo fato de o continente estar mais próximo das zonas potenciais do conflito, que vão do Oriente Médio à região onde se situa o Afeganistão, o sul da Rússia, o Paquistão e a Índia. O governo da Hungria informou hoje que os EUA teriam pedido permissão para utilizar o seu espaço aéreo. Também há o receio de serem alvo de atentados terroristas. Hoje pela manhã a Bolsa de Londres foi evacuada após ameaça de bomba. Segundo o jornal inglês The Guardian, os EUA estão pressionando os aliados europeus a retirar o regime Taleban do controle do Afeganistão e substituí-lo por uma administração temporária conduzida pelas Nações Unidas.Perspectivas de forte impacto na economia mundialAs proporções que esse cenário de confronto armado assumiu nas últimas horas aumentaram as chances de uma possível recessão mundial, segundo os analistas. Nos EUA, os analistas já falam em retração de 0,5% da economia no terceiro trimestre e de 0,8% no quarto trimestre. As demissões em massa no setor de aviação civil são a ponta do icerberg. Hoje mais uma empresa, a Northwest Airlines, informou que vai cortar 10 mil funcionários como parte do plano de redução de custos. A turbulência no setor de aviação está repercutindo nas empresas locais. A Varig vai demitir 1.750 mil funcionários. Veja os números do mercado financeiroO crescimento do pessimismo nos mercados fez o dólar disparar durante a manhã, agravando ainda mais as apreensões dos investidores locais. O dólar voltou a bater recordes, chegando a ser negociado a R$ 2,8150 na ponta de venda dos negócios, alta de 1,99%. Para conter a explosão da moeda norte-americana, o BC foi obrigado a vender títulos cambiais mas, mesmo assim, a moeda norte-americana insistia em mostrar força. Há pouco, quando o dólar era vendido a R$ 2,7950 - alta de 1,27% em relação aos últimos negócios de ontem - o Banco Central (BC) anunciou o quarto leilão de títulos cambiais novos, com o objetivo de aumentar a oferta de proteção cambial aos investidores e reduzir a pressão sobre as cotações (veja mais informações sobre as operações anteriores no link abaixo).Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 24,570% ao ano, frente a 24,000% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com baixa de 2,45%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - está em baixa de 2,24%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - opera com queda de 3,73%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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