Mercados nervosos não controlam o pessimismo

Se não bastasse a inesperada alta da Selic, a taxa básica referencial da economia, as bolsas no mundo todo despencaram, puxadas pelo pessimismo nos mercados norte-americanos dos últimos dias. O resultado foi devastador. As cotações no mercado de juros dispararam e a Bolsa de Valores de São Paulo seguiu o pessimismo, despencando. As quedas no exterior incentivaram a saída de recursos e o dólar também subiu. Os números falam por si. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 21,000% ao ano, frente a 18,050% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 5,27% e o dólar fechou em R$ 2,1620, com alta de 1,89%.Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em baixa de 1,03%, mostrando que os problemas das empresas não estão restritos à área de tecnologia. Mas a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, que já acumula queda de 62,41% desde o seu pico, em 10 de março do ano passado, fechou em alta de 3,69%. Alta da Selic e forte pessimismo mundial pioraram a situaçãoA decisão de ontem de elevar a Selic de 15,25% a 15,75% ao ano surpreendeu os investidores, que já estavam muito pessimistas com a difícil situação da Argentina e da desaceleração econômica nos Estados Unidos. A maioria dos analistas ouvidos pela Agência Estado considera a medida adequada, apesar da surpresa. As cotações, especialmente dos juros, não refletem a proporção habitual dos contratos com a Selic, um indicativo da tensão nos mercados. A tendência nos próximos dias, se o cenário acalmar, deveria ser de queda.Mas o cenário internacional também não está ajudando. No mundo inteiro, as bolsas operaram no vermelho por conta da desaceleração da economia norte-americana, que já afeta as previsões de crescimento da economia mundial. A decisão do Fed - Banco Central dos EUA - de reduzir os juros em 0,5 ponto porcentual, pouco frente aos desejos do mercado, detonou quedas sucessivas nas bolsas do país desde terça-feira. Como o pessimismo só tem se agravado, os mercados no mundo inteiro acumulam quedas. A Argentina também está num momento de muita incerteza, contaminando os mercados brasileiros. A situação econômica do país vizinho é muito grave e ainda não se sabe se o novo ministro da Economia, Domingo Cavallo, será capaz de reverter o que ele mesmo chamou de depressão econômica. O ministro pede poderes excepcionais ao Congresso para implementar seu plano de recuperação, mas as resistências são muito grandes e as dúvidas ainda predominam. Na maré do pessimismo, o índice Merval da bolsa de Buenos Aires despencou 5,60%.

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