Mercados no Brasil seguem NY e reagem à indicação de Bernanke

Os mercados norte-americanos reagiram bem à indicação de Ben Bernanke à presidência do banco central dos Estados Unidos, em substituição a Alan Greenspan que está no cargo há 18 anos. O nome de Bernanke ainda precisa ser confirmado pelo senado norte-americano e, caso seja aceito, assumirá em 31 de janeiro de 2006 para um mandato de quatro anos à frente da instituição.O índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,66% e o índice Nasdaq - que mede o desempenho das ações de tecnologia e Internet - encerrou o dia com alta de 1,61%.Além da troca na presidência do BC, os mercados norte-americanos também foram influenciados de forma favorável pela queda do preço do barril de petróleo e pelos bons resultados das companhias farmacêuticas. No fim do pregão regular na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), os contratos para dezembro de petróleo WTI ficaram a US$ 60,32 por barril (159 litros), após queda de US$ 0,31 em relação ao valor de sexta-feira. No Brasil, os mercados acompanharam a tendência favorável dos investidores norte-americanos. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 2,26%, em 29.834 pontos, patamar máximo desta segunda-feira. O dólar comercial caiu 0,22% em relação aos últimos negócios de sexta-feira, sendo vendido a R$ 2,2610.O risco Brasil - taxa que mede a confiança do investidor estrangeiro em relação à capacidade de pagamento da dívida do país - caiu 10 pontos e fechou em 373 pontos base.Nomeação do favoritoBernanke, de 51 anos, "ganhou a reputação de ter rigor intelectual e integridade, merece todo o respeito da comunidade financeira e será um excelente presidente do Federal Reserve", afirmou o presidente dos EUA, George W. Bush, em uma cerimônia na Casa Branca na qual esteve acompanhado pelo próprio Bernanke e por Greenspan.Bush não quis surpreender os mercados e nomeou o candidato favorito, um homem com sólidas credenciais acadêmicas e que, apesar de ser republicano, é visto como independente em seus julgamentos econômicos. Bernanke deverá ser confirmado pelo Senado antes de assumir a chefia do banco central dos EUA, mas o teor das primeiras reações não parece indicar maiores problemas.O senador democrata Charles Schumer, um dos membros do Comitê Bancário da câmara alta, ressaltou em comunicado que o posto requer "uma pessoa cuidadosa e livre de ideologias que entenda que a missão principal do Federal Reserve é combater a inflação". "Bernanke parece ajustar-se a esses parâmetros", acrescentou o democrata. A pergunta é se adotará "o modelo Greenspan de flexibilidade na política monetária, que tão bem serviu à nossa economia", disse Schumer.Bernanke respondeu ao senador em seu discurso na Casa Branca hoje ao ressaltar que sua prioridade, caso seja confirmado, será "dar continuidade à política" de seu antecessor. "Farei tudo o que esteja a meu alcance para ajudar a garantir a continuidade da prosperidade e da estabilidade da economia americana", afirmou Bernanke, que estudou e lecionou em algumas das melhores universidades do país."Lenda"A mensagem de continuidade agradou os analistas, pois Greenspan ganhou a reputação de ser um "rei Midas" da política monetária por seu tino para dirigir a economia americana. Em seu discurso, Bush qualificou este judeu nova-iorquino de 79 anos como uma "lenda", mas garantiu que Bernanke está à altura do desafio de sucedê-lo.O presidente saudou Bernanke como um dos economistas mais citados no mundo e disse que é "o homem correto para dar seqüência ao padrão estabelecido por Greenspan". O presidente atual do Federal Reserve, que não discursou durante a cerimônia, emitiu um comunicado no qual destacou que Bernanke "tem credenciais acadêmicas soberbas e uma compreensão notável sobre o funcionamento da economia".Ambos se conhecem bem. Desde 2002, se reúnem no Comitê do Mercado Aberto, órgão que determina a política monetária nos EUA, do qual Bernanke participa por indicação de Bush.Neste ano, o presidente se aproximou ainda mais do economista ao oferecer-lhe a Presidência do Comitê de Assessores Econômicos da Casa Branca, uma nomeação que os mercados entenderam como um sinal de que Bush o considerava um possível candidato para substituir Greenspan.ConcorrenteO maior competidor de Bernanke foi aparentemente Martin Feldstein, de 65 anos, que presidiu o Conselho de Assessores Econômicos do "ídolo" de Bush: o presidente Ronald Reagan (1981-1989). No entanto, Feldstein cometeu os erros de se queixar do aumento do déficit público naquela época e de negar que os cortes de impostos terminam elevando a arrecadação ao estimular o crescimento econômico, como argumentava a Casa Branca de então e argumenta a de agora. Bernanke, ao contrário, defendeu que a decisão final sobre dívida e déficit deve ser tomada pelo presidente e pelo Congresso.O futuro presidente do Fed também se mostra a favor de que a instituição estabeleça metas formais de inflação, como faz o Banco Central Europeu (BCE), uma proposta à qual Greenspan se opõe. É improvável, entretanto, que Bernanke queira mudar substancialmente a política monetária, pelo menos por enquanto.

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