Mercados operam em queda após divulgação de PIB dos EUA

Dados anunciados apontam expansão de 1,9% entre abril e junho, abaixo dos 2,3% esperados pelo mercado

Patrícia Fortunato, da Agência Estado,

31 de julho de 2008 | 12h02

As bolsas norte-americanas abriram em baixa nesta quinta-feira, 31, sob o espectro de dados econômicos ruins. Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiram para 448 mil na última semana, para o maior nível desde abril de 2003. Já a preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre apontou expansão da economia a uma taxa anualizada de 1,9% entre abril e junho, menos que os 2,3% esperados por analistas. Veja também:PIB dos EUA cresce 1,9% no 2º trimestre, aponta prévia Além disso, o Departamento do Comércio revisou o PIB do quarto trimestre de 2007 de uma expansão de 0,6% para um encolhimento de 0,2%. Os dados ruins fizeram os futuros de ações virarem e, após a abertura, apenas o Nasdaq apresentava valorização, de 0,27%. Por volta das 11 horas, o Dow Jones caía 0,58% e o S&P 500 0,42%. "Os dados reforçam a visão de que a economia está fraca e de que deve permanecer assim por um tempo", disse Zach Pandl, economista do UBS. "Provavelmente viveremos um período prolongado de crescimento abaixo da média", de acordo ele. O analista afirmou ainda que "para as ações, o ambiente de lucros continuará sendo difícil para empresas concentradas no mercado doméstico".  Por aqui, o PIB norte-americano fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) interromper a seqüência de dois pregões de forte alta e operar em queda nesta quinta-feira. Às 11h57, a queda era de 0,21%, aos 59.872 pontos.  "O mercado pode entender o dado como um indicador de que o país pode estar em estagflação, quando a atividade produtiva está fraca e a inflação alta", avalia a gestora da Global Equity, Patrícia Branco. "No Brasil, o principal anúncio foi a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), sobre a alta de 0,75 ponto porcentual do juro na semana passada", diz. O Banco Central, que desde o início do ano aumenta o juro em 0,5 ponto porcentual, decidiu em sua última reunião elevar a magnitude do aumento para 0,75 ponto porcentual. "O mercado esperava uma resposta do Bacen sobre a possibilidade de nas próximas reuniões o ritmo de alta continuar em 0,75 ponto porcentual ou voltar a diminuir para 0,5 ponto porcentual", aponta.  A ata diz que o Banco Central "deve atuar, vigorosamente, enquanto o balanço de riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer". Segundo o documento, a estratégia do BC "visa trazer a inflação de volta à meta central de 4,5% estabelecida pelo CMN, tempestivamente, isto é, já em 2009".  Segundo a gestora, quanto maior for a magnitude da alta nas próximas reuniões, pior para a Bolsa, pois mais investidores, principalmente os estrangeiros, migram para investimentos de renda fixa. Na agenda de balanços trimestrais, a fabricante de cigarros Altria, a petrolífera ExxonMobil, a produtora de cereais Kellogg, a Mastercard e a bolsa Nymex Holdings divulgam resultados. Pela manhã, a Motorola anunciou um lucro modesto no segundo trimestre deste ano, de US$ 4 milhões. O resultado fez com que o lucro por ação da empresa fosse nulo (US$ 0,00).

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