Mercados: otimismo contaminará Copom?

Os mercados ontem operaram com otimismo, mesmo após a intervenção do Banco Central para não permitir que as cotações do dólar caíssem abaixo de R$ 1,90. O dólar fechou com um pequeno aumento, mas os juros recuaram e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), animada pelas altas nas bolsas de Nova York, também fechou em alta. Agora, analistas especulam se o otimismo dos últimos dois dias poderá resultar em uma queda na Selic, a taxa básica referencial de juros do mercado, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que se encerra hoje à tarde. A maioria acredita que não, apostando na manutenção da Selic nos atuais 16,5% ao ano, mas o Copom pode surpreender.Economia vai bem e o momento é de otimismo: queda da Selic?Uma queda nos juros poderia ser motivada por vários fatores. Estruturalmente, a economia brasileira vai bem, cumprindo com folga todas as metas para o ano - com exceção do fiasco das exportações - crescendo com inflação controlada. Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou que uma missão será enviada para Buenos Aires para iniciar negociações a respeito de um pacote de ajuda financeira extraordinário na segunda-feira. A expectativa do mercado é de um pacote multilateral liderado pelo Fundo em torno de US$ 20 bilhões, aliado às medidas de contenção do déficit, anunciadas há cerca de duas semanas. As circunstâncias seriam positivas, dado o ânimo renovado dos investidores com o leilão do Banespa. Mesmo porque o leilão da Cesp está marcado para 6 de dezembro.Petróleo, Argentina e economia dos EUA ainda indefinidos: Selic mantém-se?Porém, a ponderação, numa visão mais conservadora, é que o otimismo é momentâneo. É verdade que a injeção de R$ 7 bilhões nos cofres públicos e a enxurrada de dólares são muito significativas. Mas os principais fatores de preocupação que levaram o Copom em manter os juros inalterados na última reunião continuam indefinidos. A situação econômica da Argentina ainda não é confortável. E a economia norte-americana dá sinais de desaquecimento, diminuindo as perspectivas de entrada de investimentos ou bons negócios para as empresas brasileiras. Por fim, os preços do petróleo continuam muito elevados e não há perspectiva de que caiam até o final do inverno no hemisfério norte, quando também diminui a demanda por óleo de aquecimento. Como a balança comercial deve fechar o ano com déficit de US$ 200 milhões, frente a uma expectativa inicial de superávit de US$ 4 a 5 bilhões, o Brasil fica muito vulnerável a essas variáveis externas.

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