Mercados: otimismo inesperado

O mercado provavelmente ainda não teve tempo para digerir a enorme surpresa do leilão de privatização do Banespa, ontem pela manhã. O preço pago pelo Santander, R$ 7,050 bilhões, foi muito superior a qualquer expectativa e muito maior do que os demais concorrentes estavam dispostos a pagar. Além dessa boa notícia para o governo federal, comemora-se a forte entrada de dólares, prevista para até o dia 27. Com isso, as cotações da moeda norte-americana despencaram, e devem prosseguir caindo.Outro fator de otimismo para os mercados e, em especial, para confirmar a queda do dólar, foi o acordo fechado, na Argentina, entre o presidente, Fernando de la Rúa, e os governadores das províncias, com a exceção de um. Ao cabo das negociações, o governo conseguiu selar o congelamento dos gastos públicos nas duas esferas por cinco anos. Essa era a primeira condição imposta para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) enviasse uma missão ao país para iniciar as negociações para a concessão de um pacote de ajuda financeira internacional. Falta ainda a assinatura do decreto que muda a previdência social e a votação do Orçamento de 2001 no Congresso. Mesmo assim, o Fundo anunciou, ontem à noite, o envio de uma equipe técnica a Buenos Aires nos próximos dias.Dado esse primeiro passo, o suporte financeiro do FMI começa a ser negociado, o que acalma os investidores. O teste do mercado ocorrerá hoje, quando o governo argentino leiloará US$ 550 milhões em títulos. Analistas esperam que a taxa de juros acabe ficando entre 10% e 12% ao ano. No último leilão, dia 7, os papéis de um ano foram leiloados a taxas de até 16% anuais.Hoje inicia-se a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para definir a taxa básica referencial de juros da economia, a Selic. A expectativa dos analistas, até ontem, era de que a taxa se mantivesse nos atuais 16,5% ao ano, mas com o otimismo vigente, alguns passaram a acreditar numa pequena redução, de até meio ponto porcentual. Os acontecimentos de ontem afetaram muito as cotações e o cenário da economia brasileira está favorável, mas o preço do petróleo continua alto e sem perspectivas de cair até o fim do inverno no hemisfério norte. Além disso, a balança comercial decepcionou muito esse ano. Da expectativa inicial de um superávit de US$ 4 a 5 bilhões, o governo espera que o saldo do ano seja um déficit em torno de US$ 200 milhões.

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