Mercados otimistas esperam queda nos juros

Após meses de pessimismo, a semana que acaba hoje foi marcada pela reversão nas expectativas, agora passando a otimistas, em relação aos mercados financeiros nacionais e estrangeiros. Assim como nos Estados Unidos já se fala em queda nas taxas de juros no médio prazo, muitos analistas brasileiros começam a especular sobre queda na Selic, a taxa de juros básica referencial da economia. A Selic está fixada atualmente em 16,5% ao ano, e a argumentação dos que acreditam na sua queda é que, não fossem as pressões internacionais, o bom cenário interno já teria levado a uma queda nos juros, especialmente ao se considerar as quedas nas taxas de inflação. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para discutir a taxa de juros é nos dias 19 e 20 de dezembro e muitos investidores estão apostando numa queda.Cenário externo pode estar melhorandoHoje às 11:30 (horário de Brasília) serão divulgados dados sobre o desemprego nos Estados Unidos e às 13:00 (horário de Brasília) o presidente do FED - banco central norte-americano -, Alan Greenspan, discursará. Em seu último pronunciamento, Greenspan fez considerações sobre o desaquecimento da economia dos EUA, induzido por uma política de elevação de juros, em vigor desde junho de 1999. O presidente do FED deu a entender que o FED está satisfeito com os resultados e que pode estar próximo o início da reversão dessa política no médio prazo, entusiasmando os mercados.Também a Argentina, que vinha preocupando os investidores em mercados emergentes, em especial no Brasil, deu sinais tranqüilizadores para o mercado. Ontem à noite foi aprovado o orçamento para o ano de 2001 pelo Senado, uma das pré-condições para a liberação do pacote de ajuda multilateral coordenado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Agora o orçamento será enviado para a Câmara, que, espera-se, finalize a aprovação até terça-feira. Segundo fontes do governo argentino, faltam poucos detalhes para a liberação do pacote, estimado em US$ 20 a 30 bilhões.Até os preços do petróleo caíram ontem. Em Nova York, depois de operar em baixa durante toda a tarde, o preço do barril para entrega em janeiro fechou com queda de 50 centavos de dólar, cotado a US$ 29,35. Ainda é caro e não necessariamente sinaliza uma tendência consistente de redução nos preços.Se as tendências dos últimos dias perdurarem...Mas se esse quadro se mantiver, de recuperação econômica na Argentina, queda nos juros nos Estados Unidos e crescimento econômico, mesmo que moderado, e preços declinantes do petróleo, os mercados financeiros terão muito o que comemorar. Especialmente porque os maiores entraves para o otimismo dos investidores nos últimos meses foram as dificuldades no exterior. A economia brasileira está crescendo com inflação baixa e a possível reversão do cenário externo pode ser o empurrão que faltava. De qualquer maneira, o clima nos mercados é de cautela, apesar do otimismo, pois a mudança nos discursos é recente e ainda falta que ela se concretize.

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