Mercados: Perspectiva para a semana

O mercado financeiro deve abrir a próxima semana atento à divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), referente à terceira quadrissemana de agosto. Depois de sete semanas consecutivas de alta, a expectativa é de que o resultado indique a retomada da desaceleração inflacionária. O IPC, que mede a variação dos preços de produtos e serviços, no município de São Paulo, para famílias que ganham entre 1 e 20 salários mínimos, ficou em 1,87% na segunda quadrissemana. Na opinião de Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB, o resultado da terceira quadrissemana deve ficar entre 1,55% e 1,60%. "O preço dos combustíveis está estabilizado e, no caso dos alimentos, os valores já estão recuando", explica.Também na próxima semana será divulgado Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nesse caso, a coleta de preços é feita entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês corrente, com divulgação no dia 30. No último resultado, o Índice ficou em 2,05%. A expectativa de Abate é que, na divulgação dessa semana, o IGP-M registre alta de 2,50%. Inflação: efeitos no mercadoOs índices de inflação passaram a ter uma importância maior no mercado financeiro, depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu deixar a taxa básica de juros - Selic - em 16,5% ao ano, aguardando o comportamento da inflação no próximo mês. Porém, com perspectiva de recuo dos índices, os analistas mantêm a perspectiva de que os juros continuem caindo até o final do ano.Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, acredita que a queda da Selic agora poderia favorecer a entrada de recursos na Bolsa. Porém, o executivo analisa que, em prazo maior, a manutenção dos juros decidida pelo Copom foi a melhor alternativa. "O corte dos juros poderia favorecer a alta da inflação. Com isso, o cenário econômico poderia perder estabilidade e os recursos que teriam entrado em Bolsa sairiam facilmente", explica.Tendência de queda dos juros está mantidaUma análise da BankBoston Asset Management revelou que as ações representam menos de 10% da poupança do investidor brasileiro. Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos, essa parcela é de 60%. Isso não significa que o aplicador daqui tem menos tolerância ao risco. O principal motivo apontado por Ziegelmann é que, em épocas de juros altos, o investidor conseguiu boa rentabilidade em aplicações de baixo risco. Porém, os analistas acreditam que a Bolsa deve começar a registrar entrada de recursos quando os investidores perceberem uma diminuição no rendimento de suas aplicações em renda fixa. De acordo com Alexandre Póvoa, diretor de renda variável do ABN Amro Asset Management, essa migração já poderia estar acontecendo, mas foi revertida devido aos últimos acontecimentos no cenário político e às incertezas em relação à situação econômica da Argentina. Vale lembrar que foi decido nessa semana o adiamento da votação da nova Lei das S.A.s, que pretende implantar novas regras que beneficiam o investidor minoritário e dá maior transparência ao mercado. Nesse ponto, os analistas são unânimes em afirmar que se trata de mais um motivo que dificulta a migração de recursos para a Bolsa. BC promove leilão de títulos com prazo de dois anosNo mercado de juros, os analistas também esperam um recuo dos índices de inflação. Caso isso se confirme, a expectativa é de queda nas taxas de juros dos contratos com vencimento futuro. Na próxima semana, o Banco Central (BC) deve promover um leilão de prefixados com prazo de dois anos. Trata-se de uma operação de oferta firme. Isso significa que as instituições fazem propostas de prazos e taxas ao BC antecipadamente e são obrigadas a mantê-las se o governo realizar a venda.Essa é a segunda vez que o BC usa essa estratégia. Na primeira vez, em janeiro desse ano, o Banco Central vendeu R$ 1,5 bilhões de títulos prefixados com vencimento de um ano.O câmbio pode continuar pressionado na próxima semana. De acordo com Ziegelmann, as cotações mais altas favorecem a balança comercial, já que os produtos brasileiros ficam com preços mais baixos no mercado internacional. Por outro lado, a alta do dolar pode elevar ainda mais a inflação, já que o preço dos produtos importados ficam mais altos.

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