Mercados: perspectivas para a próxima semana

As incertezas em relação ao cenário externo e a instabilidade nos mercados financeiros no Brasil devem continuar em cena na próxima semana. A Argentina precisa dar sinais de reaquecimento econômico e, de fato, equilibrar suas contas públicas. O país passa por uma recessão há mais de 30 meses, com elevados níveis de desemprego.Nos Estados Unidos, os números econômicos não sinalizam ainda uma tendência clara sobre o ritmo do desaquecimento econômico do país. Desde o início desse ano, o Banco Central dos Estados Unidos (Fed) já reduziu a taxa de juros três vezes. Com os cortes, a taxa passou de 6,5% para 5% ao ano. Os analistas consideram que as reduções podem ter demorado muito e, nesse caso, a economia estaria desacelerando em um ritmo muito forte.Incertezas no BrasilInternamente, a política monetária também tem gerado forte instabilidade. Diante das afirmativas constantes do Banco Central de que a inflação estava controlada, os investidores apostavam em tendência de queda para as taxas de juros. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), de elevar a taxa básica de juros (Selic) de 15,25% ao ano para 15,75% ao ano, trouxe instabilidade para os mercados nos últimos dias.A divulgação hoje do Relatório de Inflação referente ao primeiro trimestre de 2001, que sinalizou uma alta na perspectiva de inflação, de 3,9% para 4,8%, piorou ainda mais esse cenário. Para a próxima semana, a expectativa dos analistas é que as oscilações nos mercados financeiros diminuam. Isso porque os investidores já estão certos de que a tendência de queda para os juros nesse momento está totalmente afastada e a pressão inflacionária é um fato real. Mas, em relação à inflação, o cenário ainda preocupa se considerarmos que esses índices são afetados pela alta do dólar que, por sua vez, é fortemente influenciada pelo cenário externo. Como não há uma solução rápida, nem para os problemas argentinos, nem para os norte-americanos, a cotação da moeda norte-americana pode voltar a subir com mais força. De qualquer forma, a tendência é que fique mais estável na próxima semana, mesmo que seja em um patamar elevado. E como ficam seus investimentos?A recomendação dos analistas para quem vai investir agora é baseada em dois fatores principais: análise do prazo de aplicação e tolerância ao risco. Aplicações de curto prazo, que têm data definida para resgate, devem ser direcionadas para fundos pós-fixados (DI), que ganharam atratividade com as recentes altas dos juros.Para quem tem um horizonte maior de investimento - pelo menos seis meses - pode direcionar parte dos recursos para uma aplicação um pouco mais agressiva, como os fundos de renda fixa prefixados. As ações são recomendadas para um período maior - acima de um ano. Os analistas recomendam cautela para o investidor que já está com o dinheiro investido. Em momentos de instabilidade como o atual, atitudes precipitadas podem significar perdas maiores. Investidores que podem esperar por um período mais estável no mercado financeiro devem evitar a troca de aplicação ou os resgates agora.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.