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Mercados: perspectivas para a próxima semana

Com a divulgação das medidas de racionamento de energia elétrica no Brasil, os analistas começam a próxima semana avaliando o impacto das regras nas diversas variáveis da economia brasileira, como PIB, balança comercial, inflação e investimentos diretos, além das influências no mercado financeiro. A próxima semana também promete trazer novidades em relação à operação de troca da dívida argentina de curto prazo por papéis com vencimento mais longo.Sobre a crise de falta de energia no Brasil, o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, em uma entrevista a um site financeiro, afirmou que a crise energética terá impactos sobre as projeções de crescimento e emprego no País para este ano. A projeção oficial do governo para o PIB é de 4,3% e, até o momento, o BC não informou novos números para o crescimento da economia. Segundo apurou o repórter Gustavo Freire junto às fontes do BC, em Brasília, o trabalho de reavaliação dos números econômicos já está em andamento e será estruturado também com base nas medidas de racionamento divulgadas hoje pelo governo.Para os consumidores, as medidas foram muito severas, pois acarretarão em multas para consumidores com gasto mensal de energia acima de 200 (kWh) e possíveis cortes de energia para quem não promover uma redução nos gastos de, no mínimo, 20% em relação à média de maio, junho e julho do ano passado, podendo afetar seriamente a popularidade do governo. Com isso, as chances de uma vitória da oposição - o que preocupa os investidores - crescem.Também há previsão de metas de economia para a indústria e o comércio, o que deve inibir a entrada de investimentos estrangeiros. Para o mercado financeiro, o resultado desse cenário pode ser de alta para as cotações do dólar, diante do volume menor de moeda norte-americana no mercado interno. Inflação e jurosAnalistas também avaliam que, caso sejam multadas, as indústrias poderão repassar o custo para o consumidor, pressionando os índices de inflação. A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) elevou sua previsão de inflação para esse ano de 4% para 5%, de acordo com apuração do repórter Francisco Carlos de Assis. Foram considerados nessa revisão um impacto de 0,4 ponto porcentual da sobretaxa sobre as contas de energia, um possível aumento de 12% a 15% no preço da gasolina na revisão dos preços no mês de julho e a concentração dos aumentos de tarifas públicas, inclusive da própria energia elétrica nas distribuidoras. Para tentar manter os índices de inflação controlados, o governo tem adotado a política de elevação da taxa básica de juros (Selic), que está em 16,25% ao ano. Nas duas últimas reuniões - março e abril - a elevação foi de 0,5 ponto porcentual em cada uma. Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se nos dias 22 e 23 de maio. A expectativa da maioria dos analistas é de alta de 0,5 ponto porcentual. Ou seja, mesmo no curto prazo, as perspectivas para a inflação e juros são de alta.No longo prazo, os analistas evitam fazer projeções. Isso porque, com a contenção do consumo de energia, o esfriamento da atividade econômica pode provocar aumento do desemprego e queda na demanda por produtos. Nesse caso, a inflação poderia recuar. Por outro lado, as empresas produzem menos dadas as restrições no fornecimento de energia, influenciando também no volume da oferta. Inflação e juros ficam em alta nesse caso. Argentina: foco de atenções na próxima semanaOs investidores aguardam pela divulgação das condições de troca (swap) dos papéis da dívida argentina de curto prazo por títulos com vencimento mais longo. A operação foi oficializada por meio de um decreto assinado pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, e pelo presidente, Fernando de la Rúa, e está em aprovação na Securities and Exchange Commission (SEC) - órgão semelhante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil. Analistas acreditam que a decisão deve sair no início da próxima semana, quando, então, começará uma intensa divulgação da operação aos investidores das principais praças financeiras do mundo - Nova York, Londres, Frankfurt, Milão, Boston e Los Angeles.InvestimentosNão deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

18 de maio de 2001 | 21h29

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