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Mercados: perspectivas para a próxima semana

No final desta semana, após dois dias de negócios sob forte atuação do Banco Central (BC) no mercado de câmbio - seja pela venda do dólares ou pelo anúncio de nova estratégia -, os investidores ainda não têm uma noção exata de qual será o ponto de estabilização para o dólar no curto prazo. Os analistas começam a apostar no intervalo entre R$ 2,27 e R$ 2,30, o que significa que o dólar pode cair um pouco mais.Supondo que este patamar seja de R$ 2,27 e considerando que, no auge da escalada da moeda norte-americana, o dólar chegou a R$ 2,4790 na terça-feira, dia 19, o recuo da moeda chegaria a 8,43%. "A tentativa do BC para controlar o câmbio foi válida. Mas não se sabe se ela terá sucesso, pois isso vai depender de outras medidas e situações de médio e longo prazo", avalia o ex-diretor do Banco Central e sócio da MCM Consultores, José Júlio Senna.Ele explica que a intervenção complementar - alta na taxa de juros e aumento da oferta de dólares ao mercado como forma de conter a escalada da moeda norte-americana - é uma prática clássica, mas que tem limitações. "Ela sinaliza para os investidores que a cotação do dólar não está em sintonia com as condições da economia e que o BC vai tentar reverter esta situação. Mas o efeito disso é limitado", explica.Incertezas ainda dominam o cenárioSenna afirma que nem todo este recuo estimado para a queda do dólar representa, de fato, uma bolha especulativa. "Precisamos lembrar que a queda da moeda norte-americana nestes primeiros dias de atuação do BC foi favorecido por um cenário menos instável na Argentina. Caso o país vizinho tivesse apresentado algum fato novo negativo, a queda do dólar teria sido menor", avalia. O ex-diretor do Banco Central alerta que a atuação do governo para conter a alta do dólar encontra forte limitação no médio e longo prazo, pois há muitas incertezas em relação aos vários fatores de ordem interna e externa. São eles: impacto da crise de racionamento de energia na economia brasileira, incertezas em relação aos rumos da economia argentina, processo de eleição presidencial em 2002, consecutivos déficits em conta corrente, queda no volume de investimentos diretos para o País e desaceleração da economia mundial.Ele prevê que, para que a alta do dólar seja de fato contida no médio e longo prazo, o governo terá que atuar em todas estas frentes e contar com a sorte em relação à Argentina e à desaceleração da economia mundial. E mais: essas questões exigem um plano de atuação do governo de prazo mais duradouro, o que traz preocupações. Isso porque não se sabe quem irá comandar a política econômica do País a partir de 2003, quando se inicia um novo mandato presidencial. "A questão política começa a ganhar peso ainda maior", avalia.Agenda e mercados na próxima semanaOs investidores não abandonaram o clima de cautela. O dólar deve continuar recuando, em função da certeza de que, no curto prazo, o BC vai ofertar dólares e títulos cambiais quando perceber que há um aumento da demanda, ou seja, uma pressão nas cotações. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a recuperação ainda depende de um cenário mais claro. A alta da taxa de juros, a perspectiva de retração na economia em função da crise de energia e o desaquecimento econômico mundial inibem uma alta das ações. "Em relação aos juros, as taxas só devem voltar a cair se o dólar se estabilizar de forma consistente", avalia. Na agenda da próxima semana, o fato de maior atenção para os investidores deve ser a reunião do Banco Central dos Estados Unidos (Fed), que está marcada para quarta-feira. As expectativas dividem-se entre um corte de 0,25 ou 0,5 ponto porcentual. Hoje os juros nos Estados Unidos estão em 4% e o Fed vem reduzindo as taxas com o objetivo de evitar um desaquecimento forte da economia.Internamente, na quinta-feira, o Conselho Monetário Nacional reúne-se para anunciar a meta de inflação para 2003. Também neste dia, será divulgada a ata da última reunião do Copom, quando foi decidida a elevação de 1,5 ponto porcentual na taxa Selic. A meta para 2002 é de 3,5% e espera-se que, para o ano seguinte, ela não supere este patamar.De acordo com o comunicado do Comitê ao final da reunião, "a ameaça ao cumprimento das metas de inflação em decorrência principalmente da contínua depreciação da taxa de câmbio, impulsionada por expectativas negativas que se autoalimentam" foram os motivos para a elevação da taxa Selic. Espera-se que a ata traga mais informações sobre estas questões.InvestimentosNão deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

22 de junho de 2001 | 22h12

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