Mercados: perspectivas para a próxima semana

Os negócios no mercado financeiro brasileiro encerram-se hoje, mas os fatos que devem mexer com os negócios na próxima semana podem vir durante o feriado. Exemplo disso é o número do desemprego norte-americano em agosto que será divulgado pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos amanhã. A previsão média de economistas ouvidos em pesquisa da Dow Jones é que a taxa suba de 4,5% em julho para 4,7% em agosto. Os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos são muito significativos neste momento. Isso porque têm influência direta sobre o consumo do país - responsável por dois terços da economia. Uma queda muito brusca no consumo, provocada eventualmente pelo aumento do desemprego, poderia gerar mais incertezas sobre as perspectivas de retomada do crescimento econômico nos Estados Unidos. Diante das atuais condições, os analistas continuam apostando em mais uma redução da taxa de juros norte-americana, na próxima reunião do Banco Central (Fed) no dia 2 de outubro. A taxa está em 3,5% ao ano e a expectativa dos analistas é de mais um corte de 0,25 ponto porcentual, assim como aconteceu na última reunião, em 21 de agosto.O reaquecimento da economia nos Estados Unidos é um dos fatores que pode contribuir para uma melhora nas condições do mercado financeiro no Brasil. Espera-se que isso aconteça apenas no início do de 2002. Segundo os analistas, o risco é que o crescimento norte-americano fique negativo nos próximos dois trimestres, o que indicaria uma recessão. Mas, segundo eles, esta ainda é uma possibilidade remota.ArgentinaNo país vizinho, a próxima semana deve voltar a apresentar novos conflitos no campo político. O presidente Fernando De la Rúa precisa de medidas para a retomada do crescimento econômico e, principalmente, do cumprimento do déficit zero. Com a proximidade das eleições parlamentares, em 14 de outubro, é mais difícil ao governo central conseguir o apoio de políticos neste momento para a aprovação de medidas impopulares, como corte de gastos e redução de salários. Esta situação pode ficar mais crítica nos próximos dias, já que no dia 15 de setembro o governo terá que apresentar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) um Orçamento aprovado para 2002, com números compatíveis à meta de déficit zero.O certo é que a desconfiança dos investidores permanece e isso pode ser percebido pelo saldo nas reservas internacionais do país. Segundo o Banco Central da Argentina, elas continuam caindo. Na terça-feira, dia 4, estavam em US$ 16,10 bilhões. No dia anterior, segunda-feira, estavam em US$ 16,25 bilhões. Já o total de depósitos no sistema bancário do país vizinho somava US$ 75,41 bilhões na segunda-feira , com um crescimento de US$ 28 milhões em relação à sexta-feira passada (31 de agosto).Perspectivas para o mercado financeiroOs mercados devem continuar influenciados pelos negócios na Argentina e nos Estados Unidos. As cotações do dólar devem continuar pressionadas, com possibilidades de forte oscilação em momentos de nervosismo maior. Os analistas acreditam que, em um eventual agravamento da situação argentina, a moeda norte-americana pode chegar a R$ 2,70, mas não ficaria neste patamar por muito tempo. Diante desta expectativa, a recomendação dos analistas é de que apenas quem tem dívidas em dólar ou pretende viajar ao exterior invista em fundos cambiais ou compre moeda norte-americana. Neste caso, trata-se de uma operação de hedge em que o investidor se protege de eventuais oscilações, livrando-se do risco de ter que pagar uma dívida em dólar, por exemplo, em um momento de alta da moeda. Com a operação de hedge, a rentabilidade do seu investimento acompanha a alta do dólar.As taxas de juros devem acompanhar as cotações do dólar e o investimento em fundos referenciados DI (pós-fixados) são os mais recomendados em momento de incertezas. As taxas continuam em patamares muito elevados, mas também o agravamento da situação argentina pode pressionar novamente os juros para cima.Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), muito das incertezas em relação à Argentina e Estados Unidos está nos preços das ações. Uma melhora do cenário depende de muitos fatores e não devem acontecer no curto prazo. Portanto, é cada vez mais importante estar atento à principal recomendação para os investimentos em Bolsa: apenas recursos que não têm uma data definida para resgate devem ser direcionados para este segmento.

Agencia Estado,

06 de setembro de 2001 | 21h09

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