Mercados: perspectivas para a próxima semana

Pouco se sabe sobre qual será a reação norte-americana aos ataques terroristas e quanto tempo ela pode durar. Seja qual for, o impacto nos mercados e na economia mundial será significativo. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, antecipou que terroristas e países que apóiam estes grupos e ações serão duramente retaliados. O Afeganistão e o líder terrorista Osama bin Laden parecem ser o primeiro alvo.Analistas consideram que, caso isso se confirme, esta é uma situação menos desfavorável do ponto de vista da economia mundial. O Afeganistão está distante das principais áreas produtoras de petróleo e, portanto, os preços internacionais não sofreriam uma pressão de alta tão forte. Petróleo muito caro inibe o crescimento econômico e, nas atuais condições, o risco de uma recessão mundial é muito alto.Por outro lado, existe o temor de que, depois da reação norte-americana, outros países árabes alinhem-se ao Afeganistão (caso este seja mesmo o alvo), que haja uma guerra prolongada ou mesmo que se multipliquem os ataques terroristas no Ocidente. Nesta situação, a guerra toma proporções totalmente indefinidas e os impactos podem ser ainda maiores.Ritmo da economia norte-americana preocupaOutro ponto que gera muita apreensão neste momento, segundo os analistas, é uma queda no índice de confiança do consumidor norte-americano. Neste sentido, o cenário já não era muito otimista antes dos ataques terroristas. Na última medição, havia recuado de 116,3 para 114,3. Depois da tragédia em Nova York, a confiança do consumidor pode cair ainda mais, que passa a gastar menos. Segundo o diretor de operações com clientes da Lloyds TSB Asset Management, Gilberto Poso, esta situação aumentaria a incerteza de recuperação da economia norte-americana no curto prazo - 6 a 9 meses.Para as economias emergentes, uma recessão mundial é ainda pior, já que a necessidade de recursos externos é muito grande. Os investidores, após os ataques terroristas, já iniciaram um movimento de migração de recursos para ativos mais seguros, como títulos da dívida norte-americana e ouro. No Brasil, esta alteração no fluxo de recursos pressionou fortemente o dólar nos últimos dias.Copom reúne-se na próxima semanaA reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para terça e quarta-feira da próxima semana. As opiniões dos analistas são muito divergentes. Há quem acredite em alta dos juros, devido à elevação do preço do petróleo, dado o objetivo da política monetária de cumprir as metas de inflação. De qualquer forma, um corte na taxa básica de juros, a Selic, é uma possibilidade, pois a economia do País está em desaquecimento.Nos Estados Unidos, a próxima reunião para reavaliação das taxas de juros está marcada para o dia 2 de outubro. Porém, muitos analistas acreditam que nos próximos dias o Banco Central dos Estados Unidos (Fed) pode reduzir os juros, que estão em 3,5% ao ano.Perspectiva para os mercadosAs bolsas de Nova York reabrem na segunda-feira e é grande a expectativa de queda no preço das ações. O diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelmann, afirmou que os investidores esperam uma ação conjunta por parte das empresas que negociam ações na bolsa, no sentido de recomprar suas próprias ações e, desta forma, evitar uma queda mais forte do preço dos papéis.Por outro lado, segundo ele, esta capacidade de sustentação do preço das ações é limitada, o que significa que as Bolsas de Nova York podem ter um comportamento ainda pior do que as bolsas européias, que acumularam, em média, uma queda de cerca de 10% após os ataques terroristas aos Estados Unidos. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra uma queda de 21,85% desde o início de setembro. Em dólares, a baixa chega a 70% desde o período de melhor desempenho no ano passado. Ziegelmann acredita que, na próxima semana, a Bolsa deve seguir de perto o comportamento das bolsas de Nova York.O dólar deve continuar com forte pressão de alta. As intervenções do Banco Central (BC), que intensificaram-se nos períodos de instabilidade maior nesta semana, devem continuar presentes nos próximos dias. Os analistas ainda não têm uma idéia definida sobre qual o patamar máximo em que as cotações podem chegar em uma situação de guerra. Segundo Poso, o processo de desvalorização do real frente ao dólar ainda não tem data para acabar.InvestimentosNão deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

14 de setembro de 2001 | 22h28

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