Mercados: perspectivas para a próxima semana

Os rumos da reação norte-americana aos ataques terroristas devem continuar no centro das atenções dos investidores na próxima semana. O pessimismo aumentou no final desta sexta-feira, depois do pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush que, paralelamente ao ultimato declarado ao Afeganistão (veja mais informações no link abaixo), anunciou os primeiros passos na ofensiva militar - envio de tropas ao Golfo Pérsico e Mediterrâneo Oriental.Uma das principais preocupações dos analistas neste momento são as conseqüências que esta guerra possa trazer para a economia mundial. Quanto mais duradouros e longos os conflitos, maiores os impactos nas economias nacionais. Para os países emergentes, os efeitos podem ser mais perversos, já que a dependência de capital estrangeiro é muito forte.Os próximos passos deste conflito serão decisivos. O maior risco é que a retaliação norte-americana não se atenha às fronteiras do regime Taliban, mas acabe contaminando outros países da região, como as potências nucleares - Paquistão e Índia -; produtores de petróleo, como Irã, Iraque e os demais da Península Arábica; além de acirrar as tensões entre israelenses e palestinos. A região é muito instável, e qualquer erro pode provocar grandes repercussões. Daí que investidores no mundo inteiro estejam fugindo de aplicações de risco, como ações e ativos em países emergentes. A maior procura agora é por ouro, francos suíços e títulos do governo norte-americano. Os mercados continuarão tensos conforme o desenrolar dos fatos, e é possível que ainda haja altas maiores.Economia norte-americanaO desaquecimento da economia mundial deve ser impulsionado, principalmente, pela forte desaceleração da atividade econômica nos Estados Unidos, que quase certamente entra em recessão. Os norte-americanos são responsáveis pela importação de aproximadamente 70% da produção mundial. Caso o consumo dos Estados Unidos diminua, a economia mundial não sairá ilesa deste conflito.Na próxima semana, na terça-feira, será divulgado o índice de confiança do consumidor e uma queda significativa já é esperada. Caso seja confirmada, as bolsas em Nova York devem agravar ainda mais a tendência acentuada de baixa iniciada após os atentados terroristas aos Estados Unidos.Vale lembrar que, segundo pesquisa de bancos estrangeiros, em torno de 60% da poupança da população norte-americana tem investimentos em ações. As quedas nas bolsas provocam um sentimento de "empobrecimento" da população, fazendo com que o consumo nos Estados Unidos se retraia ainda mais, o que favorece um cenário recessivo.Com o clima de incertezas que tomou conta dos mercados, os investidores já iniciaram uma transferência de recursos de ativos de maior risco para aplicações mais seguras, como ouro, franco suíço e títulos do governo norte-americano.Copom divulga ata na Quinta-feiraNa quinta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) divulga a ata da última reunião mensal, que decidiu pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 19% ao ano. Ao final da reunião, o Copom esclareceu que os juros já estavam adequados às metas de inflação estabelecidas. A alta do dólar, quando repassada aos preços de produtos e insumos importados, pressiona os índices de inflação. Neste ano, segundo a política de metas inflacionárias, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), não pode ultrapassar o teto de 6%. O BC já anunciou que este objetivo pode não ser cumprido. Os analistas estão pessimistas também com relação aos próximo ano, quando a meta de inflação é de 3,5% ao ano, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. Segundo eles, o dólar deve continuar pressionado em 2002, o que poderá novamente ser repassado para os preços (veja mais informações no link abaixo). Mercados devem continuar instáveisAnalistas acreditam que a tensão deve continuar nos mercados na próxima semana. Hoje o BC tentou conter a escalada das cotações da moeda norte-americana realizando seis leilões de títulos cambiais. Mas não conseguiu. Em mais um dia de forte instabilidade, o dólar bateu novos recordes (veja mais informações no link abaixo).As perspectivas não são melhores para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Enquanto as bolsas de Nova York estiverem em queda e as cotações do dólar subirem com força, será muito difícil uma recuperação dos negócios no mercado de ações no Brasil. Segundo os analistas, as taxas de juros também devem continuar em patamares elevados.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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