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Mercados: perspectivas para a próxima semana

Sem negócios amanhã no mercado financeiro, devido ao feriado nacional, os investidores no Brasil devem começar a próxima semana reagindo aos números divulgado nos Estados Unidos nesta sexta-feira - inflação ao produtor, dados do comércio e índice de confiança do consumidor - e ao resultado das eleições parlamentares na Argentina no domingo.Em relação ao país vizinho, os analistas estão cada vez mais pessimistas. "O governo deve perder apoio com a eleição de parlamentares ligados a partidos de oposição. Mas ninguém ganha com isso, pois não há nenhum candidato que apresente um plano capaz de solucionar os problemas argentinos", afirma Luis Fernando Lopes, estrategista do JP Morgan.Para o diretor de renda variável da BankBoston Asset Management (BAM), Júlio Ziegelmann, assim como para o ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio-diretor da MCM Associados, José Júlio Senna, a resolução do problema argentino deve passar por uma mudança no regime cambial do país. Eles acreditam que o melhor seria uma dolarização da economia, com um desconto sobre as dívidas das empresas e do governo. Mas o governo do país rechaça totalmente esta hipótese.O anúncio feito pelo presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, de que a instituição, juntamente com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird), estudam um programa da reestruturação da dívida pública externa da Argentina não traz nenhum alívio para o país. Segundo o estrategista do JP Morgan, Luis Fernando Lopes, a confiança dos investidores só será retomada com medidas concretas para corte de gastos e reaquecimento da economia. Nesta semana, a taxa de risco país bateu recordes e chegou ao nível mais alto entre os demais os países do mundo pesquisados (veja mais informações no link abaixo). Conflitos militaresA guerra na Ásia Central continua no foco das atenções dos investidores. Em um primeiro momento, os investidores ficaram muito pessimistas diante da possibilidade de que os ataques norte-americanos tomassem proporções maiores, com envolvimento de países situados em regiões petrolíferas. Este risco não foi afastado. Mas, ao menos por enquanto, o cenário parece indicar que a ação dos Estados Unidos deverá ser mais controlada.A economia norte-americana continua em forte desaquecimento e, para que se recupere, a volta da confiança dos consumidores do país é essencial. A maior parte da economia dos Estados Unidos (70%) é movida pelo consumo e o índice de sentimento do consumidor a ser divulgado nesta sexta-feira pela Universidade de Michigan, referente à primeira quinzena de outubro, pode dar um sinal desta tendência. Mas as expectativas dos analistas não são boas. Espera-se uma queda para 76, de 81,8 apurado no final de setembro. Copom no dia 17Internamente, o evento mais esperado é a reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), que reavaliará nos dias 16 e 17 a Selic, a taxa básica referencial de juros, atualmente em 19% ao ano. A maioria dos analistas aposta em manutenção da taxa, principalmente porque a última reunião aconteceu após os atentados terroristas aos Estados Unidos e, de lá para cá, o cenário não mudou muito.O economista do Lloyds TSB, Wilson Ramião, é um deles. Ele acredita que o Copom também deve apostar na estabilidade, não adotando viés, o que significa que a taxa Selic ficaria em 19% ao ano até a reunião de novembro, marcada para os dias 20 e 21. "A economia está muito desacelerada e a inflação está sob controle, justamente em função do desaquecimento econômico. Mas, com o real muito desvalorizado frente ao dólar, é muito improvável que o BC corte juros neste momento", avalia.Ziegelmann, da BAM, também espera pela manutenção dos juros, apesar de considerar que, de fato, a economia está muito desaquecida, o que permitiria um corte de juros neste momento. "Mas a expectativa é de que o BC adote uma postura mais conservadora", afirma o diretor.Perspectivas para os mercados financeirosO dólar deve continuar pressionado nos próximos dias, devido às incertezas em relação aos desdobramentos dos conflitos militares e aos rumos indefinidos da economia argentina. Segundo analistas, em um futuro próximo, também as eleições presidenciais no Brasil em 2002 terão relevância maior na visão dos investidores. "Em 2002, o risco político será um fator novo a pressionar as cotações do dólar. Para as eleições presidenciais no próximo ano, o governo ainda não tem candidato, e o da oposição está liderando as pesquisas", afirma Ramião do Lloyds TSB. Ele acredita que as cotações estão em patamares muito elevados e que podem recuar para o patamar de R$ 2,70 no final do ano. Mas, até lá, segundo ele, as oscilações podem ser fortes.As taxas de juros devem continuar em alta, seguindo as cotações da moeda norte-americana. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que apresentou um desempenho positivo nos últimos dias, pode voltar a cair, caso surjam fatos novos negativos nos cenários externo e interno.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2001 | 22h37

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