Mercados: perspectivas para a próxima semana

A próxima semana no mercado financeiro poderá começar com um pacote de medidas econômicas na Argentina, que já vem sendo esperado desde o início desta semana. Analistas acreditam que esta demora deve-se a um acordo que precisa ser costurado entre o governo Fernando De la Rúa e os fundos de pensão, no sentido reduzir as taxas de juros nos títulos; e de negociações entre o governo central e as províncias, para corte de gastos.O país precisa fechar estes acordos de forma eficiente, principalmente em relação à sua dívida externa junto a bancos estrangeiros. Isso porque, dependendo desta negociação, se houver um rebaixamento do rating (classificação) da dívida do país por parte de uma agência de classificação de risco, os bancos norte-americanos terão que fazer um provisionamento maior da dívida argentina em seus balanços, o que poderia ser considerado como um default - leia-se calote.O governo argentino chegou a admitir a possibilidade de dolarização da dívida do país. Se adotada, alguns analistas afirmam que o período de transição é menos difícil do que no caso de uma desvalorização, já que, no segundo caso, o risco de quebra de empresas é muito grande, pois grande parte da dívidas está atrelada ao dólar. Mas, passado o período de transição, a dolarização da economia será um forte inibidor do crescimento econômico do país, devido à perda total sobre o controle da política monetária. Ou seja, em um cenário de dolarização, o governo ficaria impotente diante de uma alta dos juros. Com isso, as chances de que a economia argentina volte a crescer ficam bem reduzida. No caso da desvalorização, passado o período de forte dificuldades na fase de transição, as taxas de câmbio teriam comportamento livre, o governo poderia ser mais atuante em relação aos rumos da política monetária e, depois de um tempo, a Argentina teria a possibilidade de voltar a crescer. É certo que as empresas teriam dificuldades de recuperação mas, neste caso, uma ajuda de organismos internacionais seria mais eficiente do que na situação atual.Conflitos acentuam preocupaçõesOs conflitos na Ásia Central também são um forte motivo para que os investidores continuem em compasso de espera na próxima semana. O agravamento da guerra, com envolvimento de outros países, e o aumento do temor dos norte-americanos com a possibilidade de novos ataques terroristas, principalmente depois do aumento do número de casos de antraz, poderá dificultar a recuperação da economia norte-americana.Na próxima semana, na sexta-feira, será divulgado o índice de confiança do consumidor, medido pela Universidade de Michigan. Muitos analistas esperam que o índice continue em queda, apesar dos esforços do governo para reativar a economia, por exemplo, com o corte das taxas de juros. O medo do desemprego e de novos ataques terroristas dificultam muito a melhora da confiança do consumidor.O resultados do mercado acionário norte-americano também continuarão no foco de atenções dos investidores na próxima semana. Analistas esperam a divulgação do resultado de empresas nos próximos dias. Caso venham melhores, ou pelo menos dentro das expectativas, podem melhorar em parte a confiança dos consumidores, já que grande parte de suas reservas financeiras está alocada no mercado de ações.Perspectivas para o mercado no BrasilO Banco Central (BC) divulga na próxima quinta-feira a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu por manter a Selic, a taxa básica de juros, em 19% ao ano. Segundo nota divulgada ao final da reunião, o Comitê afirmou que a política econômica está alinhada às metas de inflação. Entre investidores que vinham negociando com uma taxa de juros mais elevada, este patamar foi diminuído nesta semana e a expectativa dos analistas é de que ficará nos atuais níveis na próxima semana, com um menor grau de oscilação.O dólar, que também teve um comportamento mais tranqüilo nesta semana, poderá continuar com esta tendência nos próximos dias. Mas, segundo os analistas, qualquer fato novo pode mudar estas perspectivas. Portanto, para os investidores, a recomendação é manter a cautela e evitar aplicações mais arriscadas quando o investimento tiver data definida para resgate.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também apresentou recuperação na semana passada, mas ainda é cedo para afirmar que esta tendência se manterá nos próximos dias. Vale a recomendação de que apenas os recursos que podem ficar aplicados por um período indeterminado, até que se consiga o ganho pretendido, sejam direcionados para este segmento.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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