Mercados: perspectivas para a próxima semana

A situação argentina continuará no foco de atenções dos investidores na próxima semana. O presidente do país vizinho, Fernando De la Rúa, promete que anunciará as novas medidas econômicas às 21h (horário de Brasília), mas a maioria dos pontos já é conhecida pelos investidores. A expectativa dos analistas em relação à reestruturação da dívida do país é que, caso seja anunciada, deverá trazer apenas uma proposta para a troca voluntária de títulos da dívida, já que nem De la Rúa nem o ministro da Economia Domingo Cavallo conseguiram fechar um acordo com os governadores das províncias.O pacote econômico, que é esperado desde o dia 15 de outubro, deverá ter como principais medidas: cortes de verbas superiores a 30% nos orçamentos dos ministérios; redução de 3 pontos porcentuais do Imposto de Valor Agregado (IVA) nas compras com cartão de crédito; e isenção do IVA para pequenas e médias empresas fornecedoras de exportadores.São esperadas medidas também de caráter social, como salário família de US$ 30 por filho para famílias com receitas inferiores a US$ 1.000; subsídios escolares para crianças de famílias pobres; e aposentadoria de US$ 100 para maiores de 70 anos sem nenhum tipo de salário ou pensão. A percepção dos investidores sobre as medidas econômicas e a reação dos mercados brasileiros serão conhecidos na segunda-feira, pois amanhã é feriado no Brasil e os negócios estarão paralisados.Além do pacote econômico que ainda será anunciado, os investidores poderão reagir ao resultado muito desfavorável sobre a arrecadação argentina, que foi anunciado no final desta tarde. O Ministério da Economia do país vizinho verificou que a arrecadação de impostos em outubro registrou uma queda de 11,3% em relação a outubro do ano passado. Na comparação com setembro deste ano, a arrecadação apresentou crescimento de 1,9%.O fato é que a situação no país vizinho vem se deteriorando rapidamente. Nesta semana a taxa de risco do país bateu recordes e chegou ao patamar de 2.307 pontos base. A taxa over em pesos negociada entre grandes bancos disparou de 40%, ontem, para até 220% hoje, mas recuou um pouco no final do dia. Já as reservas líquidas do país vêm caindo nos últimos dias. Estes recursos somavam US$ 19,26 bilhões no dia 29 de outubro e caíram para US$ 18,89 bilhões no dia 30 de outubro.Os organismos financeiros internacionais não dão sinais de que continuarão a apoiar o governo argentino na condução da política econômica do país, o que, neste caso, significa que não pretendem continuar financiando as dívidas do país. Internamente, a imagem do ministro Cavallo está muito desgastada e há muito tempo ele já não é visto como o "salvador da pátria".Analistas afirmam que os problemas da Argentina têm por base, principalmente, a paridade cambial, que estabelece que um peso equivale a um dólar. A sobrevalorização do câmbio torna os produtos argentinos extremamente caros no mercado internacional. Com isso, o país não consegue vender seus produtos no exterior, não consegue crescer e a sua arrecadação fica cada vez menor. Ou seja, a crise vai persistir enquanto a questão não for resolvida.Tendência para os mercadosNos últimos dias, os mercados no Brasil ficaram mais estáveis, apesar da piora do cenário argentino. Analistas acreditam que pode haver um novo momento de instabilidade nos mercados, caso a Argentina entre em uma situação de default - leia-se calote da dívida. Mas esta influência deve ser limitada segundo os analistas, já que as condições brasileiras são consideradas mais positivas, principalmente em função da melhora das contas externas. Além disso, o Brasil conta ainda com recursos no total de US$ 10 bilhões provenientes do último pacote acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e acredita-se que, em caso de piora do cenário, diferentemente da Argentina, o Brasil terá condições de levantar recursos novos junto a organismos financeiros internacionais.O comportamento do dólar e das taxas de juros deve continuar nos patamares atuais na próxima semana, podendo apresentar repiques de alta com o agravamento do quadro argentino. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve continuar com tendência indefinida. O ritmo da desaceleração da economia norte-americana, os rumos dos conflitos na Ásia Central e a situação argentina devem ter influência sobre os negócios no mercado acionário.Nos Estados Unidos, o Banco Central do país, o Fed, deve reavaliar a taxa de juros na terça-feira. Atualmente, os juros estão no patamar de 2,5% ao mês e espera-se um corte de 0,25 ponto porcentual. As bolsas norte-americanas poderão apresentar alguma reação, mas deve ser muito pequena, já que o ritmo da economia do país continua muito fraco, o que preocupa os investidores do mercado de ações e impede uma influência mais forte de um corte nas taxas de juros.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

01 de novembro de 2001 | 20h32

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