Mercados: perspectivas para a próxima semana

Até quando vai o otimismo dos investidores? Ainda existem muitas incertezas sobre a economia brasileira e o cenário internacional que podem voltar a afetar os negócios. Mas, enquanto o humor dos investidores não muda, os ativos continuam se recuperando e já superam os patamares registrados antes dos atentados terroristas em Nova York, no dia 11 de setembro. Na próxima semana, esta perspectiva pode perdurar.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por exemplo, estava em 11.922 pontos na véspera dos atentados. No pior dia, chegou a 10.005 pontos, e hoje fechou em 13.423 pontos. Em novembro, a Bolsa já acumula uma alta de 18,12%, mas no acumulado do ano ainda está negativa em 12,03%.Para o diretor de fundos do BNL Asset Management, Cláudio Lellis, a primeira situação que pode provocar nervosismo no mercado financeiro é a ruptura da situação argentina. "Não acredito que uma desvalorização do peso argentino já esteja embutida no patamar atual da Bolsa. Se isso acontecer, os investidores estrangeiros poderão reduzir a exposição em países emergentes, o que certamente vai afetar o mercado acionário", afirma.O diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelmann, acredita que a recuperação foi grande porque o mercado exagerou no pessimismo. "Quando os investidores perceberam que a situação brasileira era muito diferente das condições do país vizinho e que os organismos internacionais estariam dispostos a ajudar o Brasil, mesmo com o agravamento do cenário argentino, houve um aumento de recursos estrangeiros para o País e a recuperação veio rápidamente", avalia. Mas Ziegelmann não descarta um momento de nervosismo nos mercados brasileiros com notícias negativas vindas da Argentina. Segundo ele, teria que ser algo significativo para alterar a tendência, como a desvalorização do peso argentino.O ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio da MCM Consultores, José Júlio Senna, acredita que o mercado financeiro vive um momento em que só está atento às notícias boas, como a perspectiva de um saldo positivo para a balança comercial em 2002 - em torno de US$ 6 bilhões - e o cumprimento das metas fiscais. "Os investidores deixaram para segundo plano o ritmo do desaquecimento econômico nos EUA e ainda não estão levando em conta as eleições presidenciais em 2002", afirma.Economia norte-americana preocupaLellis lembra que a economia dos Estados Unidos já vinha dando sinais de desaquecimento antes dos atentados terroristas. "Depois disso, o cenário ficou ainda pior", afirma. O Banco Central dos Estados Unidos (Fed) vem cortando os juros de forma agressiva com o objetivo de estimular o consumo - de 3,5% ao ano em meados de setembro para 2% ao ano na última reunião. Mas o impacto desta redução não tem efeito imediato e deve ser percebida apenas no primeiro semestre de 2002. Mesmo sobre o consumo, setor em que a queda da taxa de juros tem influência mais rápida, ainda não há sinais de reação. Lellis conta que o indicador de saldo de poupança registrou um crescimento anualizado de 4% em sua última medição. Segundo ele, isso não é um fenômeno normal nos Estados Unidos, país em que a população tem forte perfil consumista. Segundo Ziegelmann, a economia norte-americana só voltará a dar sinais de crescimento no segundo trimestre do próximo ano. "Nos primeiros três meses de 2002, a economia norte-americana ainda estará muito desaquecida", avalia. Ele espera uma redução de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião do Fed, em 11 de dezembro.Argentina continua no foco de atençõesNa próxima semana, os investidores continuarão atentos à situação argentina. Hoje o governo argentino recebeu as propostas de adesão dos bancos à troca (swap) de títulos com taxas de juros mensais de 11% a 15% por taxas de 7% ao ano. Segundo a Associação dos Bancos Argentinos, o valor do swap deve ser de US$ 12,5 bilhões. Na segunda-feira, é a vez dos fundos de pensão apresentarem suas propostas e, na sexta-feira, serão negociadas as dívidas das províncias. No total do swap, a Argentina pretende trocar um volume de US$ 30 bilhões em títulos. A dívida da Argentina com os bancos e fundos de pensão inclui 79 títulos em um total de US$ 63 bilhões. Além disso, espera-se uma visita do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao país vizinho na próxima semana. A Argentina pede a antecipação de uma parcela de US$ 1,260 bilhão que está prevista para dezembro, pois neste mês as dívidas da União são de US$ 1,606 bilhão. Caso a Argentina não consiga os recursos, ela poderá recorrer às suas reservas internacionais."Isso vai deixar os investidores ainda mais inseguros em relação à Argentina. O país já não tem condições para manter a paridade entre o peso e o dólar, e uma queda ainda maior das reservas enfraquece muito a moeda do país", diz Lellis. Vale destacar que as reservas argentinas vêm caindo diariamente. Para se ter uma idéia, no início do ano, as reservas internacionais totais do sistema financeiro estavam em US$ 34,5 bilhões. A partir de julho começaram a cair vertiginosamente. No dia 7 de setembro - dia anterior ao último à entrada de recursos do FMI -, as reservas estavam em US$ 19,5 bilhões e, com os recursos do Fundo passaram para US$ 23,974. Mas, na última segunda-feira, dia 19, acumulavam apenas US$ 19,329 bilhões. Ou seja, o país se endividou com a ajuda do FMI, e o dinheiro evaporou.Ata do Copom sai na quinta-feiraNa próxima quinta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgará a ata da sua última reunião, que decidiu pela manutenção da Selic, a taxa básica de juros da economia em 19% ao ano. Em nota divulgada ao final da reunião, o Copom informou que a decisão teve por base a pressão de alta sobre os índices de inflação. Os investidores esperam mais detalhes com a divulgação da ata.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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