Mercados: perspectivas para a próxima semana

O conservadorismo demonstrado pelo Banco Central (BC) na ata, divulgada na quinta-feira, da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu os investidores. Os mercados acabaram reavaliando as perspectivas mais positivas de redução de juros na próxima reunião do Comitê, nos dias 18 e 19 de dezembro, e até mesmo na reunião de janeiro de 2002.O BC deixou claro que vai perseguir o cumprimento da meta de inflação em 2002 - de 3,5% ao ano, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. Isso significa que novas reduções só virão quando a pressão sobre os índices de inflação diminuir. Analistas acreditam que isso pode acontecer em breve, já que o dólar vem recuando e, portanto, a pressão sobre a inflação provocada pelo repasse da alta do dólar sobre os preços deve diminuir. Um estudo da MCM Consultores Associados revelou que há 40% de chances de que um cenário com dólar e taxa de juros em queda e inflação menos pressionada se confirme em 2002. Segundo o estudo, neste cenário, o dólar em dezembro do próximo ano estaria em R$ 2,30. A Selic, a taxa básica de juros da economia, ficaria em 15,9% ao ano na média período. As projeções também indicam que a inflação ficaria dentro da meta, chegando a 4%. De acordo com o economista da MCM, Celso Toledo, este cenário aconteceria com uma ruptura organizada na Argentina. No Brasil, os efeitos seriam o dólar caindo um pouco mais, taxa de juros recuando e retomada da atividade econômica no Brasil. "Mas, para a confirmação deste quadro, a economia dos Estados Unidos precisa voltar a crescer."Um cenário um pouco mais provável, segundo Toledo, com 50% de chances de que se confirme traz as seguintes previsões: dólar em R$ 2,80 em dezembro de 2002; taxa Selic média no período em 18,5% ao ano e a inflação ultrapassaria o teto da meta, batendo em 5,6%. Toledo explica que, neste quadro, a retomada da atividade econômica norte-americana seria mais lenta e as eleições provocariam uma instabilidade maior.Argentina pode influenciar os mercadosA semana terminou com a taxa de risco da Argentina batendo em 3.439 pontos base. Há informações de que os correntistas formaram enormes filas nos bancos hoje para sacar seus recursos. O temor é de que, a partir da próxima semana, as contas correntes na Argentina fiquem congeladas. O governo argentino nega esta possibilidade.Na próxima semana, a Argentina pode voltar a influenciar pontualmente os mercados no Brasil, mas já se acredita em um descolamento da situação dos dois países. Para o ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio da MCM Consultores Associados, José Júlio Senna, este descolamento mais forte da situação argentina, iniciado em novembro, leva em conta que o país vizinho passou a ter uma alta probabilidade de default - leia-se calote da dívida. "Esta realidade não é nem um pouco parecida com as condições brasileiras. Por isso, o descolamento", afirma.De acordo com o estudo da MCM, entre dezembro de 1998 e maio de 1999, a taxa de risco Brasil subia mais rapidamente do que a taxa de risco da Argentina, o que significa que a confiança dos investidores com a situação argentina era maior do que com as condições brasileiras. A partir de 1999, com a adoção do câmbio flutuante, este movimento começou a ser revertido e em novembro deste ano, a taxa de risco do Brasil recuou, enquanto na Argentina avançou rapidamente. Estados UnidosA economia norte-americana é outro foco de atenção para os investidores. Na segunda-feira, a Associação Nacional dos Gerentes de Compras dos EUA (NAPM) divulga o índice de atividade industrial de novembro. A previsão média de 12 economistas ouvidos em pesquisa Dow Jones é que o índice tenha subido para 42,6 de 39,8 registrado em outubro. Dados importantes serão divulgados também na quinta-feira - o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana até 1º de dezembro; e dados da produtividade no terceiro trimestre.A economia dos Estados Unidos está em forte desaquecimento, que foi aprofundado após os atentados terroristas de 11 de setembro. Os analistas esperam que, com a política agressiva de corte de juros implementada pelo Banco Central dos Estados Unidos (Fed), a economia do país apresente sinais de reaquecimento a partir do segundo trimestre de 2002.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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